Marcadores

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Furdunço no Sertão

Peça – Furdunço no Sertão

Texto e Direção
Denílson David

PERSONAGENS
GENOVEVA - A NOIVA
CHIQUIM - O NOIVO
ESPERTUNIA - MÂE DA NOIVA
ZÉ-IRMÂO DA NOIVA
RAIMUNDONA - A GRÁVIDA

ATO ÚNICO

ABREM – SE AS CORTINAS

GENOVEVA – (ENTRA COM UMA VASSOURA NA MÃO) Ô minha nossa senhora das muié limpa e cheirosa, que caisa mais suija! (VARRENDO)Eu, levo o tempo cuidando na arrumação dessa casa. Ô vida ,ô vida...já, já mainha chega e se ela pega essa bagunça ela mete o cacete. (VARRE E ARRUMA TUDO APRESSADAMENTE).

ESPERTUNIA – (DE DENTRO) Ô Genoveva! Genoveva! Cadê tu peste? Aparece traste!(ENTRA CORRENDO).

GENOVEVA – Ôche mainha que agonia é essa? Num grita que eu fico toda tremendo!

ESPERTUNIA – Deixa de frescura sua maldita! Sabe o que eu fiquei sabendo agorinha na rua, sabe?

GENOVEVA – Sei mainha, sei!

ESPERTUNIA – Como tu sabe, se eu ainda não contei peste?

GENOVEVA – A mainha se eu dizesse que num sabia a senhora ia brigar.

ESPERTUNIA – Ai cristo, isso não é uma filha, isso é um castigo. Mai coma eu ia dizendo, o seu tio, e a sua tia, bateram as botas.

GENOVEVA – O quê? Não, não, não! Ai meu Deus! (CHORA DESESPERADA)
ESPERTUNIA – Ô Genoveva, num precisa disso mia fia! Tu deixa de besteira, se não eu te parto a cara!

GENOVEVA – (CONTENDO O CHORO) E morreu de que mainha?

ESPERTUNIA – De um acidente de carroça.

GENOVEVA – Carroça?

ESPERTUNIA – Eles tava nas pistas de carroça, ai na hora que iam atravessar vei uma moto, passou por cima do jumento, matou o jumento.

GENOVEVA – Ôche, passou por cima do jumento e quem morreu foi o tio e a tia?

ESPERTUNIA – Morreram de pena do jumento, coisa de gente besta mesmo, viu!

GENOVEVA – Num fala assim mainha! Mai e o meu primo Chiquim, como é que tá?

ESPERTUNIA – O traste mandou dizer por seu neném do mercado que tá vindo passar uns dias aqui.

GENOVEVA – Num diga mainha.

ESPERTUNIA – Baixe o fogo sua assanhada.

GENOVEVA – Ôche mainha, pintiei o cabelo onti.

ESPERTUNIA – Olhe aqui Genoveva, tu num se faça de engraçada, tu sabe do que eu tô falando, por isso eu não quero que você fique com gracinha pro lado do peste do Chiquim, tu tá me ouvindo?

GENOVEVA – Tô sim, mainha. Tô sim.

ESPERTUNIA – Agora vai já pra dentro cuidar do almoço. (EMPURRA-A) Cumigo é assim escreveu num leu o pau comeu. Minha fia Genoveva tem 25 cinco anos e ate hoje nunca nem beijou nas bocas, isso só depois de casada eu sei como anda as coisas se essa peste fosse solta já tinha uns quinze fi. Essa bicha não presta.
ZÉ – (ENTRA EMBREAGADO) Eu vou beber pra esquecer dos meu probrema.

ESPERTUNIA – Mais tu já bebeu de novo, peste?

ZÉ – Só um poquim, mainha sabia que ôce é mia mãe prifirida?

ESPERTUNIA – Eu já disse que num queria ver você bebendo, e que num vou sustentar fi vagabundo não tá me entendo?

ZÉ – Mainha eu só bibi um golim.

ESPERTUNIA – Que golim o que, o bafo tá aqui.

ZÉ – O bafo que tá aí é o seu, num é o meu não.

ESPERTUNIA – Olhe aqui, tu num faça piadinha com minha cara não, (PUXANDO PELA ORELHA) tá me ouvindo?

ZÉ – Tô mainha, tô!

ESPERTUNIA – (VAI SAINDO)

ZÉ – Mainha é toda das valentona assim, mai de verdade ela num mata nem uma vaca.

ESPERTUNIA – (VOLTANDO) E tem mais, pela última vez eu vou avisar: ou tu cria vergonha e pára de vagabundagem ou eu ôcê no olho das rua. (SAI).

ZÉ – Mainha é uma gracinha (RIR, OUVI-SE PALMAS) Ôche essas palmas só pode ser cobrança de mainha. Já vai, (CAI) Eu ia caindo, (LEVANTA-SE E ABRE A PORTA) Primo Chiquim com vai ôce?!

CHIQUIM – Diga Zé tudo bom, só?

ZÉ – Mai entra Chiquim que a casa é toda sua

CHIQUIM – Ôce tá bebo Zé?

ZÉ – Eu num tô bebo não! Fica aí, que eu vou chamar a mãe ,pra mode ela vê ôce.

GENOVEVA – (ENTRANDO) Mainha... (VER CHIQUIM) Chiquim!

CHIQUIM – Genovevinha! Ixe Maria, e tu vai ficar aí parada, doida? Num vai dar nenhum abraço no seu primo quirido?

GENOVEVA – (CORRE PARA ABRAÇA-LO) Chiquim é tu memo?

CHIQUIM – Sou eu sim Genoveva, mai tu tá cada vez mai linda.

GENOVEVA – Num fala essas coisas que eu fico com vergonha! Sinto muito pelo que aconteceu.

CHIQUIM – Nem me fala nisso, que chega eu fico triste. Mai cadê a tia Espertunia? Cadê a veia?

GENOVEVA – Tu num fala assim de mainha, porque se ela esculta... Ôce sabe que ela é dessas que mata a cobra e mostra o pau.

ESPERTUNIA – (DE DENTRO) Genoveva, Genoveva, quem é que tá ai?

GENOVEVA – Num é ninguém não! É o Chiquim!

ESPERTUNIA – (ENTRANDO) Mai o peste já chegou?

CHIQUIM – Cheguei sim!

ESPERTUNIA – Como é que tu tá desgraça?

CHIQUIM – Tô em pé!

ESPERTUNIA – Tu num brinca comigo traste! (BATE NELE)

CHIQUIM – Arre, desculpa eu tia.

ESPERTUNIA – Senta aí!

CHIQUIM – Num quero não!

ESPERTUNIA – Senta aí, ou tu senta ou eu te parto a cara!

CHIQUIM – Eta que brincadeira besta, (PAUSA) Eu queria era brincar! Vamo brincar genovevinha?

GENOVEVA – Vamo sim, posso mainha?

ESPERTUNIA – (PARA CHIQUIM) Ôce chamou mia fia de quê, desgraça?

CHIQUIM – (AMEDRONTADO) Genovevinha...

ESPERTUNIA – Que essa seja a última vez, nada de intimidade com mia fia, vice?

CHIQUIM – Tô vissando, tô vissando!
ESPERTUNIA – Agora podem ir, mai eu tô de oi!

GENOVEVA – Ôce nem me pega, (SAEM CORRENDO).

ESPERTUNIA – Dois cavalão desse brincando, tem ate o que ver!

GENOVEVA – (VOLTA CORRENDO) Nem me pega!

CHIQUIM – Ah! Mai tu vai ver como eu pego. (CORREM EM VOLTA DE ESPERTUNIA, BARROAM NELA E ELA DESMAIA).

CHIQUIM – Genoveva! Danou-se tudo, venha aqui rápido!

GENOVEVA – (VÊ SUA MÃE CAÍDA) Mia nossa senhora dos miserável, ôce ficou doido Chiquim?

CHIQUIM – Virge santíssima, ela morreu bateu as bota?

GENOVEVA – Morreu não Chiquim, morreu não mai quando ela acordar quem vai morrer é ôce.

CHIQUIM – E agora o que agente faz?

GENOVEVA – Nós primeiro tem que acordar ela, adespois nós acalma a fera.

CHIQUIM – Mai como, Genoveva?

GENOVEVA – Tô pensando.
CHIQUIM – Já sei, aqui tem veneno de rato.

GENOVEVA – Acho que tem por quê?

CHIQUIM – É só ela dá uma cherada. Ou ela acorda doidona ou morre de vez!

GENOVEVA – Será?

CHIQUIM – Ou vai ou racha!

GENOVEVA – Então eu vou pegar. (VAI SAINDO, PÁRA AFLITA DE PERNAS ABERTAS)

GENOVEVA – Ai, ai, Chiquim, Chiquim me ajuda. (PARALISADA).

CHIQUIM – O que foi Genovevinha o que está acontecendo?

GENOVEVA – Uma, uma, uma barata tá subindo no meu pé, socorro!

CHIQUIM – Calma Genoveva, eu vou te ajudar, (ENTRANDO DEBAIXO DE SUA SAIA).

GENOVEVA – Mata a barata Chiquim, mata!

CHIQUIM – Espera Genoveva eu tô procurando.

GENOVEVA – Tá subindo, socorro Chiquim!

CHIQUIM – Calma Genoveva, eu já vou pegar a barata, não se mexe!

GENOVEVA – Vai logo Chiquim, ai tá subindo! (ESPERTUNIA ESTÁ ACORDANDO).

GENOVEVA – (VÊ ESPERTUNIA SE APROXIMANDO FURIOSA) chiquim tá bom, a barata já foi, chega, chega, chega!

CHIQUIM – Genovevinha ôce...

ESPERTUNIA – (LEVANTA CHIQUIM PELA CAMISA) Tá fazendo o quê com mia fia? E que nigocio é esse de barata?

CHIQUIM – (AMEDRONTADO) Foi a Genoveva quem mandou eu pegar na barata dela!

GENOVEVA – Oxênte Chiquim!

ESPERTUNIA – É o quê? Sua enxerida, tu anda mandando os outros pegar nas tuas coisas! (BATE NELA)

GENOVEVA – Mainha, ele mandou eu pegar o veneno... Ai a barata....

ESPERTUNIA – Veneno...? e pra que esse veneno?

GENOVEVA – Ôche, era pra senhora cheirar.

ESPERTUNIA – (PARA CHIQUIM) Tu queria me matar, desgraça? Tu num tem medo de morrer não?

CHIQUIM – Ô tia, num mata eu não! Num suja tuas mão com eu não. Se tu matar eu... eu...

ESPERTURNIA – Tu o quê? Fala peste!

CHIQUIM – Se tu matar eu...eu.. morro.

ESPERTUNIA – Tu num ia dizer isso não infeliz, tu ia dizer que se eu matasse tu, Genoveva ia ter um fi sem pai, num era?

CHIQUIM – De onde? Mai minha nossa, tu endoidou de vez tá caducando é?

GENOVEVA – Mainha num assucedou nada eu juro!

ESPERTUNIA – Cala boca, rolinha doida! E tu Chiquim de uma mulesta, buliu com mia fia vai ter que casar.

CHIQUIM/ GENOVEVA – O quê?

CHIQUIM – Mai tia e a Raimundona?

ESPERTUNIA – Que Raimundona? Eu é que num vou esperar nove mês, pra mode saber o resultado. Casa sim e adespois de amanhã.

CHIQUIM/ GENOVEVA – O quê?
GENOVEVA – Mai já mainha?!

CHIQUIM – Oxênte pra quê tanta pressa?

ESPERTUNIA – Pra tu num ter tempo de fugir desgraça. (SAI)

GENOVEVA – (RIR) É... Mai eu bem que vou gustar de casar com você, vice!

CHIQUIM – Eu também ate que ia, se num fosse...

ESPERTUNIA – (ENTRANDO) Genoveva Peste.

ZÉ – (ENTRANDO) E aí Chiquim tá gostando primo?

CHIQUIM – Tô nada Zé, a tia quer que eu casa com a Genoveva sem ter feito nada com ela.

ZÉ – Mai casa primo, adepois ôce faz. mia irmã é feinha mai da pra quebar o gai.

CHIQUIM – Mai de querer eu atè que queria, mai é que mode eu num posso.

ZÉ – Mai o jeito é se conformar, pó mode que despois que mainha põem uma coisa na cabeça da sangue na canela e a nega num desiste. (SAI)

CHIQUIM – Mai eu tenho que fazer alguma coisa, mai o quê? E agora? Se correr o bicho pega se correr o bicho come! (SAI)

UM DIA DEPOIS

ESPERTUNIA – (ENTRANDO) Mai é hoje, é hoje que o tampo desencalhar. Mai eu bem que sabia que era só da espaço que a bicha ia dar... dar pa ruim.

ZÉ – (ENTRA BEBENDO) Óia, mai onde tá mia mãe prifirida!

ESPERTUNIA – Mai tu, já tá bebendo de novo fi do cão?

ZÉ – Quem tá bebendo aqui, mãe? Eu? Quem disse essa mintira.

ESPERTUNIA – Ninguém disse nada, eu tô vendo troço.

ZÉ – Vendo o quê?
ESPERTUNIA – Essa garrafa ai atraz. Vem cá. (PEGANDO-O PELA ORELHA). Oia aqui seu bicho imundo, hoje tua irmã vai casar, agora vai botar uma roupa de sair e volta já pra cerimônia. (JOGA ELE PRA DENTRO).

CHIQUIM – Já tô indo, calma, calma.

ESPERTUNIA – Ai agora é só esperar.

CHIQUIM – Deus que a me perdoe, vice, mai eu me livro desse casório se o tampo dessa veia morrer. (PEGA UM PAU). Oi titia!

ESPERTUNIA – O que é que tu quer? (DURANTE A CENA ELE TENTA A TODO CUSTO METER O PAU NA CABEÇA DE ESPERTUNIA, QUE SEMPRE ACABA ESCAPANDO).

CHIQUIM – Quero conversar um cadim com ôce.

ESPERTUNIA – Desembucha, (ENQUANTO ISSO ELA ARRUMA A MESA DO ALTAR)

CHIQUIM – Mai né mior, nós deixar esse casório pra outro dia? Ou já se viu casar sem bolo, bebida e doce.

ESPERTUNIA – Preocupe não, eu fiz tudo cumprei as cachaça, uma buchada das boa...

CHIQUIM – Mai e os convidado?

ESPERTUNIA – Mai tu tá cego? Num tá vendo esse tantão de gente, não? (APONTANDO PARA O PÚBLICO)

CHIQUIM – E as noiva, aposto que ela num tem nem vestido.

ESPERTUNIA – E num tem mermo.

CHIQUIM – Pois então.

ESPERTUNIA – Mai eu dei uns ponto no vestido que eu casei com o finado Geremias e ficou uma beleza pra ela.

CHIQUIM – Mai ai que veia nojenta. (ÚLTIMA INVESTIDA COM O PAU).
ESPERTUNIA – (VIRA-SE A TEMPO, PEGANDO-O EM FLAGRANTE). Mai tu queria me matar peste?

CHIQUIM – Da onde tia! Queria nada! Tava só de brincadeira.

ESPERTUNIA – Tu sabe muito bem que eu tenho nojo de brincadeira, eu já disse que o casamento vai ser hoje e num tem cristão desse mundão de meu Deus que me impida. (GENOVEVA VESTIDA DE NOIVA ENTRA CORRENDO).

GENOVEVA – Chegui, tô bunita Chiquim?

CHIQUIM – Nunca vi um bicho tão bunito! Em toda mia vida.

ESPERTUNIA – Bora começar o casório?

GENOVEVA – Oxênte mainha, mai cadê o padre?

ESPERTUNIA – Cruz credo, eu esqueci do padre!

CHIQUIM – Só pode ser milagre, vamo deixar pra outro dia, pra outro mês, pra outro ano, pra outra vida!

ESPERTUNIA – Mai nem que a vaca tuça.

GENOVEVA – Mai como é que nois vamo casar?

ESPERTUNIA – Vou chamar o peste do seu irmão! (SAI)

GENOVEVA – Ai, mai eu tô feliz demais da conta! E ôce Chiquim o que tá sentido?

CHIQUIM – Eu tô é com medo Genovevinha.

ESPERTUNIA – (ENTRANDO TRAZENDO O ZÉ) Pronto! Tá qui o Zé ele vai fazer o casamento.

GENOVEVA/ CHIQUIM – O quê?

GENOVEVA – Mai mainha o Zé num sabe nem quem é Deus, quanto mais casar os fio de Deus.

ZÉ – Mai ora se num sei Deus é o pai de todo mundo.

ESPERTUNIA – Zé é só dizer tudo que eu mandei. Agora vai!

ZÉ – Em nome do pai, do fi, do ti, da mãe, da vó e do vô.
RAIMUNDONA – (VINDO DO PÚBLICO)Mai que putaria é essa? Seu cabra safado! Fi da mãe filhote de cruz credo o que é que tu tá fazendo? (PARA CHIQUIM).

CHIQUIM – Ra- ra- Raimundona!

GENOVEVA – Mai quem é ela?

RAIMUNDONA – Eu é que pergunto quem é essa pistoleira, macacada de branco?

ESPERTUNIA – Quem é esse diabo? Tu conhece Chiquim?

CHIQUIM – Conheço sim! Ela é Raimundona, por causa dela que eu num queria casar com a Genoveva.

ESPERTUNIA – Aí queria fugir e deixar mia fia barriguda num era?

RAIMUNDONA – Come é que é? Tu vai casar com essa bicha imunda?

GENOVEVA – Vai sim! (AGARRA CHIQUIM). E eu num sou bicho, sua barriguda e tu nem foi convidada, e tá pra nascer quem tome Chiquim de eu.

RAIMUNDONA – Tu vai casar e deixar este peste nascer sem pai?

ESPERTUNIA – Fia vai ali no banheiro, senta na privada faz coco, da descarga e pronto! Tá livre.

RAIMUNDONA – Tu tá pensando que isso aqui é merda é fia? Mais né não, é fi desse homem, (PARA CHIQUIM) desse cachorro da mulesta, desse sem vergonha!

ZÉ – Vai ter casório ou num vai?

ESPERTUNIA – Tu fica calado, e tu (RAIMUNDONA) Vai embora enquanto é tempo.

CHIQUIM – Raimundona vai embora, num cumprica as coisa se tu ficar aqui, essa doida mata eu e tu e adespois bebe o sangue.

RAIMUNDONA – Eu vou, mai tu vem com eu. (PUXA ELE POR UM BRAÇO).

GENOVEVA – (PUXA PELO OUTRO) Ah, mai num vai mermo!

RAIMUNDONA – Ah, mai vai sim!

GENOVEVA – Ah mai num vai não.

ESPERTUNIA – Chega! Eu num quero furdunço no meu sertão. Eu já sei o que fazer, a peste da Genoveva casa com a peste do Chiquim e esse bucho fofo casa com o cachaceiro do Zé.

CHIQUIM – Mai que furdunço é esse, e meu fi?

ZÉ – Ôce dá de comer a ele.

ESPERTUNIA – Tu vai ver o menino todo santo dia, mai vai ter que casar com a peste da mia fia.

RAIMUNDONA – Se meu fi vai ter um pai eu ate que aceito.

CHIQUIM - Ah, genoveva agora podemos casar assucegado!!!

ESPERTUNIA - Ah, chiquim até parece sonho!

ESPERTUNIA – E quem vai fazer o casório agora É eu... Em nome do pai... Vocês vão se casar, mas se brigar, se trair, se tiver safadeza, cachorrada eu passo a foice, entenderam? (FAZEM SINAL QUE SIM).Raimundona Camburão do Bucho Grande, aceita Zé Vagabundo como teu esposo? Pra cuidar do teu moleque e te dar vergonha?

RAIMUNDONA – É o jeito!

ESPERTUNIA – E tu imundo?

ZÉ – Aceito muito feliz!

ESPERTUNIA - Genoveva Pitomba Butique da Fonseca da Canela de Macaco, aceita Chiquim Francisco da Rocha da idade da Pedra Lascada com seu marido? Pra lidar de comer e lhe sustentar?

GENOVEVA – Aceito.

ESPERTUNIA – E tu peste?

CHIQUIM – Eu também aceito!

ESPERTUNIA – Agora chega de furdunço, pode pegar os trapos das noiva porque a festa vai começar! Pegue seu pá gente feia e comecem a dançar cão dos inferno.

E A VIDA CONTINUA...

Nenhum comentário:

Postar um comentário