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segunda-feira, 14 de junho de 2010

CRIANÇA ESPERANÇA

Peça Criança Esperança

(Entram as crianças com expressão de dor e desespero pedindo esmolas)

CHICO – Uma esmola pelo amor de deus/ uma esmola meu por caridade/ uma esmola pro ceguinho/ pro menino/ em toda esquina, tem gente só pedindo/ uma esmola pro desempregado/ uma esmola pro preto, pobre, doente/ uma esmola pro resto do Brasil pro menino, pro indigente.

CHICO – Droga hoje o dia está zero!

ANA – Só podia ser você, Chico tripa, sempre reclamando!

FOFINHA – Cara, minha barriga tá oca, sem nada dentro.

BONECA – Oca tá sua cabeça

CHICO – Eu comerei até um sapo vivo

FOFINHA – E se ele ficar pulando na sua barriga?

ANA – Calma gente nos temos quer ficar unidos ou vamos acabar morrendo de tanta fome e miséria.

BONECA – Que vida triste levamos nós que vivemos na rua não temos o que comer não temos pai não temos mãe não temos ninguém por nós.

CHICO – Não temos carinho nem amor e nem proteção, muito menos como estudar.

FOFINHA – Mais o pior mesmo, é como esse povo nós olham como se fossemos bichos.

ANA – Mas apesar de tudo isso não podemos perder a esperança temos que acreditar que um dia vamos ser diferente.

CHICO – E pessoal, lá vem aquela chata da Suzi.

ANA – Se ela vier nos humilhar, eu pulo em cima dela.

SUZI – (SE APROXIMANDO DOS MENINOS) Não estou acreditando no que eu estou vendo a praça da felicidade está empestada desses imundos.

BONECO – Falou com a gente mosca morta?

SUZI – Há, Há, Há claro que não. Ou você acha que eu Suzi de Alencar iria perder como seres como vocês?

FOFINHA- Você pensa que tem o rei na barriga é menina

SUZI- Vem cá porque em vez de vocês ficarem nas ruas pedindo esmolas vocês não vão pra casa, se lavarem seus fedorentos

CHICO- Você acha que nós estamos aqui porque queremos, porque gostamos de passar fome, frio, sede.

ANA- Nós estamos aqui porque ao contrario de você não temos teto, uma família!

SUZI- Não tem minha bichinha? Que pena, então ver se não empeste e procure uma ponte para ficar e saia já daqui!

BONECA- Você mora perto da praça , mais não é dona não, está ouvindo?

FOFINHA- você se acha muita coisa não é menina? Mais no fundo não é nada!

CHICO- Nos não somos ricos como você, Mas também somos gente!

SUZI- Aí, ai voes cansam minha beleza!

BONECA- Que beleza? você é um monstro por dentro e por fora.

(Todos riem)

LUCIANA-(Entrando) Suzi, mas o que você está fazendo aí com esses mendigos?

RODRIGO- Mas o que é isso seus moleques, estão pensando que a pracinha é a casa de vocês?

CHICO- Também não é a sua seu Zé, a pracinha é pública!E nós vamos ficar o tempo que precisar!

LUCIANA- Uí, o bicho fala!

ANA- Uí a macaca escuta!

LUCIANA- Mas que desaforo é esse?

RODRIGO- Liga não Luciana, tudo bem com você filha?

Suzi – Só ficarei bem, quando me ver livre de vocês, seus chatos, vocês não desgrudam!

LUCIANA- Vem Suzi, vamos pra casa, temos que ter cuidado com gente assim.

RODRIGO- Filho nós só queremos o seu bem.

SUZI- Aí vocês dói nos nervos, me deixe em paz! (Sai!)

LUCIANA- Suzi volte aqui.

(Sai junto com Rodrigo)

CHICO- Viram só o jeito que ela tratou os país.

BONECA- Ela não valoriza o que tem, eu sempre sonhei em ter uma família, pai , mãe,avos.

ANA- eu fico pensando, sabe ... Meus pais sempre me trataram como se eu fosse um bicho. Nunca procuraram conversar comigo,por qualquer coisa já me batia.

FOFINHA - È tem pai que ao invés de corrigir o filho, acaba batendo sem pena.

BONECA - Será mesmo que o pai ou a mãe tem esse direito de fazer do filho o que bem quer?Quem nos protegera?A lei?temos que nos conformar com essa vida, temos que parar de sonhar.

ANA - Parar de sonhar? Jamais!Temos que acreditar na lei sim. Acreditar que um dia tudo vai ser diferente que todos os nossos sonhos serão realidade... Eu ainda serei professora e darei a outros a chance de estudar que eu nunca tive!

BONECA – (CANTANDO) Eu vou ser advogada para prender todos esses políticos ladrões, que não fazem nada por nós.

FOFINHA – Eu vou ser médica e gastar muitas vidas
.
CHICO – Eu vou ser presidente da república e acabar com a fome e a miséria.

FOFINHA – Ai gente eu estou com fome, e muito frio, minhas pernas doem, aliás meu corpo inteiro.

BONECA – (Coloca a mão no rosto de Fofinha) Gente Fofinha esta com febre.
ANA – Mesmo vamos levá-la ao hospital.

CHICO – Calma gente! Eu levo se for todo mundo, eles correm com a gente. Vamos Fofinha, segure em mim. (saem)
(Elas sentam no banco)

ANA – Cada um tem sua história não é, ninguém deixa a família porque deseja, veja o Chico foi abandonado ao nascer numa lata de lixo, depois entregue a FEBEM de onde fugiu já Fofinha a mãe é prostituta e viciada em drogas, não sabem nem se a filha existe. Sua mãe vivia batendo em você, meu padrasto abusava de mim.

BONECA – Quem tem uma família, seja ela pobre ou rica, com os pais unidos ou não, mas que tem carinho, amor e respeito, Não precisa de mais nada. Veja a idiota da Suzi, tem tudo que queríamos e não dar valor.

ANA – Como eu queria um teto, um prato de comida e uma família pra me proteger...
(Deitam e adormecem).

CLARA – (Entrando) Que mundo é esse meu Deus, que crianças indefesas dormem pelas ruas sem nenhuma proteção?

ANA – (Acordando) Ai, Ai (Vê Clara) oi moça!

BONECA – (Atordoada) O que você quer?

CLARA – Calma menina, não precisa se assustar!Eu já falei que eu só quero ajudá-los.

ANA – (Levantando-se) Você quer mesmo nos ajudar?

CLARA – Claro, como cidadã essa é minha obrigação.

(ENTRA CHICO E FOFINHA)

CHICO – Gente, eles não atenderão a Fofinha, só com os pais, já pensou!

BONECA- Droga!

CLARA – Crianças, eu gostaria de saber, porque vocês não me deixam ajuda-los.

ANA – Quem vive sendo espancada, com todos olhando pra nós com nojo e raiva, pode confiar numa conversa dessa?

CHICO – Vejo nossa amiga doente e nem os médicos estão ali para salvar, olhou pra gente.

CLARA – (Pegando em Fofinha) ela esta ardendo em febre. Vamos! Eu posso ajuda-los (As crianças se entre olham)

CHICO – Gente, vamos todos com ela.

CLARA – Vocês não vão se arrepender.(Saem todos).

SUZI – (Entrando, escuta tudo) Meu Deus,mesmo sendo o que são, e sofrer como sofrem, nunca perdem o ânimo, a esperança sempre tem forças pra seguirem em frente. O que eles mais querem na vida é ter pai, mãe enquanto eu desprezo os meus, e se eu perder minha família...

(ENTRA RODRIGO E LUCIANA)

RODRIGO – Os trombadinhas desapareceram.

LUCIANA – Graças a Deus, tomara que tenham morrido.

SUZI – O que é isso mãe? (Pausa) Sabe... Eu estive pensando, eu poderia ser um deles,. Passar o que eles passam, sofrer o que eles sofrem.

LUCIANA – Suzi, não fala uma coisa dessas. Deus me livre eu não posso nem pensar.

SUZI – Pois é mãe, e só assim eu pude ver o quanto nós estávamos sendo mesquinhos e injustos com aquelas crianças. Ai eu percebi o quanto eu tenho sorte de ter pais como vocês.

RODRIGO – Minha filha, o que deu em você?

SUZI – Eu não estou dando o verdadeiro valor a tanto amor e carinho que vocês tem pra mim. Me perdoe pai, me perdoe mãe!

LUCIANA – Como erramos! Aquelas crianças, nós poderíamos ter os ajudados.

RODRIGO – Será que ainda podemos corrigir nossos erros?

CLARA - (Entrando)Nunca é tare pra recomeçar.

LUCIANA – Então vocês nos perdoam?

BONECA – Claro pois quem perdoa será perdoado.

SUZI – Que bom de agora em diante tudo vai ser diferente.

ANA – È isso ai. A vida continua, bola pra frente acreditando no futuro..

CHICO – por que nós somos?

TODOS – CRIANÇA ESPERANÇA! !

(Cantam a musica vamos construir de Sandy e Junior)

SUZI – Sei que ainda sou criança, tenho muito o que aprender mais quero ser criança quando crescer. Nosso mundo é um brinquedo com pecinhas para unir, ele será todo seu, se você pensar em mim...

TODOS – Vamos construir, uma ponte em nós, pra ligar seu coração ao meu com o amor que existe em nós! (BIS)

CLARA – E você que é gente grande também pode aprender, que amar é importante pro meu mundo e para o seu. Mas eu tenho a esperança de você ser meu amigo. De voltar a ser criança pra poder brincar comigo!

CHICO – Tudo que sonha com amor se pode conseguir e tudo é assim, é assim, é assim. E a gente vive muito mais feliz.

E A VIDA CONTINUA...

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