Marcadores

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O COMEÇO DO FIM

CIA DE TEATRO NOVO OLHAR
PEÇA – “O COMEÇO DO FIM”
AUTOR – DENILSON DAVID

O começo do fim narra à trajetória de seis jovens que descobrem estar no ultimo dia de suas vidas, a partir daí eles decidem fazer as maiores loucuras, aproveitando cada minuto de suas ultimas 24 horas. Tentando fazer nesse pouco espaço de tempo tudo aquilo que não conseguiram fazer em uma vida.
Ao saberem da notícia do fim do mundo os jovens amigos: Mel, Sara, Dedé, Pati, e Bruno decidem se reunir no local onde trabalha Guto, no galera bar, a fim de ficarem unidos e morrerem juntos. Para completar o quadro surge Marina, um anjo mau que vem para atrapalhar suas vidas, e Ângelo um anjo do bem que por sua vez, vem para protegê-los.
Como o grande fim será ocasionado por uma tsunami “onda gigante”, Mel tem a idéia de construírem uma arca, seguindo o exemplo da arca de Noé, para que assim eles possam escapar da catástrofe que se aproxima. Todos concordam dão-se inicio aos trabalhos, porém por precaução cada um decide ir em busca do que falta em suas vidas.
Pra começar, Sara termina o namoro com Dedé por estar em dúvida se é ou não lésbica, inconformado ele tentará a todo custo reconquista-la. Pati, a encalhada, através de simpatias e outras maluquices tentará encontrar o amor de sua vida. Bruno o mauricinho, bad boy decide se converter e agir como se fosse Santo. Guto e Mel tentarão criar coragem para se declararem um ao outro antes que seja tarde demais...

PERSONAGENS

MEL - 16 anos – Uma garota mimada, inconseqüente e romântica nutre um forte amor por Guto.

GUTO - 18 anos – Tímido e meio atrapalhado é o gerente do galera bar. Ama Mel, no entanto não conseguem se declarar.

DEDÉ - 19 anos - Um jovem apaixonado que tem a namorada como centro de sua vida e está disposto a tudo pra ficar com ela.

SARA - 18 anos- Indecisa e confusa sobre sua própria personalidade e sexualidade.

PATI - 17 anos – Uma jovem encalhada, capaz de loucuras para encontrar o grande amor de sua vida.

BRUNO - 19 anos – Mauricinho com pinta de bad boy possui uma paixão platônica por Mel.

ÂNGELO - Um anjo do bem que enviado a terra para proteger os jovens que estão no galera bar.

MARINA - Um anjo do mal que é enviada a terra para atrapalhar a vida dos jovens que estão no galera bar.

FIGURANTES - População, anjos e demônios.











PRÓLOGO

(Entram pessoas por toda á parte, elas caminham, e conversam tranquilamente, representando o dia-a-dia comum de uma cidade. De repente todos ouvem a voz de um radialista que entra no ar com uma notícia urgente).

RADIALISTA – Extra, extra, plantão jornal infinito informa: O mundo viverá uma catástrofe de proporções incalculáveis e imprevisíveis. O fenômeno assustador tem o nome de tsunami, que significa: onda gigante. O vulcão crubevieja que está inativo há trinta anos está prestes há entrar em erupção, o que provocará um deslizamento de montanha sobre o mar. Formando uma onda jamais vista, e que pode chegar a 40 metros de altura. O homem por sua vez se torna frágil e impotente diante da fúria da natureza! E aqui fica meu ultimo a Deus á você ouvinte, estou indo pra igreja mais próxima me confessar. É o começo do fim, salve-se quem puder!!!

(DOR, MEDO E DESESPERO TOMAM DE CONTA DE TODOS QUE COMEÇAM A CORRER, A GRITAR, CHORAR, COMO SE FOSSEM MALUCOS. AOS POUCOS VÃO SAINDO DE CENA.).

O COMEÇO DO FIM
Original de Denílson David

(ABREM-SE AS CORTINAS, GUTO, MEL, SARA, DEDÉ, PATI E BRUNO, ESTÃO AFLITOS NO GALERA BAR ).

BRUNO – Aí maluco essa parada de onda gigante, fim do mundo, isso só pode ser pesadelo!

MEL – Ai gente eu to perplexa, não quero morrer! (Chora)

PATI – Eu também não, ai meu Deus! (Abraçam-se)

SARA – É melhor mantermos a calma, não podemos perder o controle.

DEDÉ – Pois é meu algodão doce tem razão. Quem sabe não seja apenas alarme falso.

GUTO – Não Dedé, dessa vez é sério. Não se fala em outra coisa, você não viu o tumulto nas ruas?

PATI – Ai meus Deus! (Abraça Mel) Ai Mel, Ai amiguinha!Eu gostava tanto de você, você não merecia morrer assim, misericórdia senhor! Ai meu coração! (Desmaia)
GUTO – (Amparando-a) Pati, isso lá são horas pra essas coisas!

MEL – Céus, ela morreu, ai amiga espera, eu vou com você! (Desmaia Guto solta Pati e ampara Mel)

GUTO – Mel! (Para os outros) Vocês vão ficar aí parados, só olhando?

SARA – Isso é frescura.

BRUNO – Deixa comigo, maluco, eu já sei o que fazer!

DEDÉ – Vê lá em Bruno!

BRUNO – O lance é o seguinte: eu vou fazer respiração boca a boca.

TODOS – Respiração boca a boca?

BRUNO – É, dizem que é batata, levantou até a tal da bela adormecida. Ai meu tipo assim, com quem eu começo? Ah tanto faz, meninas aí vai o Brunão! (Vai beijá-las Mel e Pati gritam levantam-se de repente)

TODOS – Ó, Ó, Ó!

BRUNO – Funcionou rápido demais, eu nem fiz nada.

GUTO – Tudo bem meninas?

PATI – Impossível estarmos bem, a beira da morte.

GUTO – Pessoal, vamos dar o fora do galera bar. Se o senhor Arnaldo aparecer por aqui, nós estamos fritos!

SARA – Não dramatiza Guto! Você é o gerente deste bar não é? E esse teu patrão não vai aparecer por aqui, ele tem mais o que fazer no seu ultimo dia de vida. E este é o lugar perfeito pra se morrer, você não acha?

MEL – É, mais o tempo ta passando, e aí o que vamos fazer?

(APAGAM-SE AS LUZES, AS MENINAS GRITAM. OUVEM-SE TROVÕES).

DEDÉ – Ai meu Deus, será que já morremos? Será que estamos no... Inferno?

PATI – Eu quero minha mãe!

GUTO – Deve ter sido apenas curto circuito!

(ACENDEM-SE AS LUZES, OS ANJOS ÂNGELO E MARINA, ESTÃO EM CENA EM LADOS OPOSTOS. AO VÊ-LOS TODOS GRITAM E CORREM DE UM LADO PARA OUTRO).

ÂNGELO – Calma aí pessoal, vamos sentar conversar, a paz do senhor esteja com vocês!

(NINGUÉM DA ATENÇÃO TODOS CONTINUAM CORRENDO)

MARINA – (Grita) Chega! (Todos param) Parou a palhaçada!

PATI – Quem são vocês?

MARINA – Oi para todos! Eu sou Marina, mas vocês podem me chamar de Má.

ÂNGELO – Eu sou Ângelo. Mais vocês podem me chamar de... De... Ângelo mesmo.

GUTO – Quem vocês pensam que são pra ir invadindo o galera bar desse jeito, aqui é um bar de respeito sabia?

MARINA – Eu sou queridinho digamos que a morte, eu vim acabar com a vida de vocês.

TODOS – Ó, Ó, Ó!

ÂNGELO – E eu sou a vida, vim para protegê-los. E guia-los nesse momento tão difícil.

TODOS – Á, Á, Á!

MEL – Não acreditem neles Guto, eles devem fazer parte de alguma gangue ou quadrilha organizada. Chame a policia.

MARINA – Deixa de ser bobinha querida, não adianta fugir da verdade. (Rir) O desespero está estampado no rosto de vocês. Se tivessem aproveitado a vida isso não estaria acontecendo

ÂNGELO – O maior mistério do universo é a vida humana, a maioria das pessoas, não conhece a si mesmas.

BRUNO – Aí maluco que papo sinistro é esse? Tipo assim: não faz sentido o que tu tá falando.

MARINA – Ah, não? Então me diga, até onde você se conhece? (Para todos) Quem são vocês? (Para platéia) Quem é você? E você, quem é? (Silêncio total)

ÂNGELO – A verdade é que a maioria das pessoas não vive apenas existem. Não têm objetivos, ideais, sonhos... Viver não significa apenas está presente no mundo. É necessário qualificar a existência.
BRUNO – (Delirando) Aí maluco sinistro meu! Esse lero tem nexo, doido! Tipo assim: o que é a vida? Quem sou eu? De onde eu vim? O que eu vim fazer aqui? Pra onde eu vou? Quando eu vou? Eu to ficando irado meu!

ÂNGELO – Pessoal você tem que decidir o que fazer do resto de suas vidas. O tempo está passando, cada minuto vale ouro.

GUTO – (Subindo em uma cadeira) Tchan – Tchan – Tchan – Tchan! O que você faria se o mundo acabasse amanhã?Eu sempre quis dizer isso. Mais e aí o que vamos fazer?

DEDÉ – (Abraça Sara) Ai, eu quero ficar perto da minha Sarinha, morrer abraçadinho, juntinhos!

SARA – Menos não é Dedé! Menos! (Afasta-se) Ai e eu o que vou fazer da minha vida? Eu sou tão perdida de mim mesma...

GUTO – Eu só quero sair da minha condição humilhante de BV, boca virgem, e perder minha virgindade, e com o amor da minha vida.

PATI – Ai eu acho que não vai dar tempo eu morrer, porque eu tenho tanta coisa pra fazer... Tenho que ir à manicure no cabeleireiro tenho que arrumar, um namorado, que eu não vou morrer encalhada. Tenho...

TODOS – Cala a boca Pati!!!

BRUNO – Pra que pressa se o futuro é a morte? Tipo assim eu decidi mudar minha vida, numa boa, me purificar, buscar um novo caminho, uma nova luz.

SARA – Aí o cara surtô!

MARINA – galera, atenção: É o fim do mundo, vocês não têm mais nada a perder. Então curtam o resto de suas vidas, relaxem! (Pega algumas garrafas de bebidas e distribui entre eles). Todo mundo bebendo e esquecendo os problemas. (Todos bebem) festa pro povão. (Faz gesto, começa uma música animada).

PATI – Ai eu adoro essa música!

MEL – Eu também amiga!

MARINA – Ai gente, vocês estão tão travados! Vamos mudar isso, ao meu comando! (Todos obedecem como se estivessem impinotizados).

ÂNGELO – Para com isso Marina!

MARINA – Deixa de ser careta benzinho! Entra na dança fofo!
ÂNGELO – Você mim respeite Marina!

MARINA – Vamos lá galera! Vamos lá negada, soltem o corpo! Coloca a mão no joelho! E mexe tapinha no bumbum, e gira, e vai no ritmo. Atitude! E joga e mexe a cabeça e joga os braços pra frente e dá um gritinho: AU! Atitude! (Mel e Sara se esbarram).

MEL – Você está me paquerando?

SARA – Como é que é?

MEL – Olha aqui querida, eu sei muito bem dos teus problemas sexuais, e eu já saquei que você anda me paquerando.

SARA – Você está maluca?

GUTO – O que está acontecendo Mel?

MEL – Essa indecisa passou a mão na minha bunda, mim chamou de gostosa e disse que estava afim de mim!

SARA – Olha aqui querida...

MEL – (Cortando-a) Olha aqui você meu bem. Eu gosto é de homem.

SARA – Mel...

MEL – Eu não quero você!

SARA – Mel...

MEL – Você não faz o meu tipo!

SARA – Olha aqui minha filha! (Pegando pelo braço) Eu não paquerei você coisa nenhuma. Você é feia!

PATI – (Dançando) Ai meninas não brigue, curtam a festa!

MEL – Olha aqui, se você quer saber eu nunca fui com a sua cara, sempre achei você meio esquisitona.

SARA – O que você acha ou deixa de achar é problema seu minha filha. E eu sempre achei você muito falsa!

MEL – Falsa? É você querida, sua gorda, cheia de estria, celulite. Sua mal acabada.

SARA – Sua mentirosa! Você sempre morreu de inveja de mim, sempre quis me copiar. Sempre quis ser o centro das atenções, sua exibida, sua sinica! E tem mais, eu sempre quis dar uns tapas nessa sua cara, eu só não faço isso, pra não sujar as minhas mãos, pra não me rebaixar!

MEL – Ah é queridinha? Pois eu me rebaixo, eu sujo as minhas e com gosto. (As duas se atracam, os demais apartam).

GUTO – Calma Mel! Isso é perca de tempo sabia?

MEL – Tudo bem, eu estou calmíssima!

PATI – (Sobe em uma cadeira) Gente eu não quero morrer encalhada!!! (Chora) se é pra morrer encalhada eu prefiro me matar. Saíam da frente eu vou me jogar! Mel, minha vida acabou amiga!

MEL – Pati, por favor, desce daí!

PATI – Não! Só saio daqui para o cemitério.

ÂNGELO – Pati o que você está fazendo?

PATI – Estou me preparando para deixar essa vida cruel. Adeus! (Ela se joga).

MEL – (Grita) Pati você está bem?

PATI – (Levantando-se) Ai Amiga eu quero morrer!

ÂNGELO – Para com isso Pati! Não adianta entrar em desespero! Ainda não é o fim , calma! (PAUSA) Gente mais que mau cheiro é esse?

BRUNO – Eu tomei banho hoje!

MARINA – Mas esse cheiro, é cheiro de pum. Quem de vocês soltou um pum?

TODOS – ú,ú,ú!

MEL – Foi quem está com a mão amarela! (Todos olham as mãos).

GUTO – Eu acho que foi a Sara!

SARA – Eu tenho educação meu filho!

DEDÉ – (Exagerado) Pelo amor de Dada! Eu confesso! Fui eu, eu confesso, fui eu! É minha culpa, é minha tão grande culpa! (De joelhos). Eu soltei um pum!

BRUNO – Cara não precisa sofrer tanto, tipo assim, um pum é a coisa, mas normal do mundo, maluco!

DEDÉ – Eu sempre quis dizer isso em público!

PATI – Ai que lindo!
DEDÉ – Atire a primeira pedra aquele que nunca soltou um pum em publico. E se expremeu pra que ninguém o descobri-se ou quando soltou foi o primeiro a recriminar o ato para afastar suspeitas. Mas hoje, não há mais nada a perder por isso eu digo com orgulho que soltei um pum.

MARINA – Sonho realizado benzinho.

MEL – Pessoal, eu tive uma idéia!

SARA – Isso lá é hora pra se ter idéia minha filha?

MEL – A idéia é genial! Escutem: na bíblia, no livro de gênesis fala sobre um dilúvio, que Deus mandou sobre a terra. Fazendo chover quarenta dias e quarenta noites sem parar.

PATI – Ai, eu adoro chuva!

DEDÉ – E daí Mel?

MEL – Deus, porém manda que Noé construa uma arca, e junte sua família e um casal de aves e répteis de cada espécie para garantir uma nova geração pura.

GUTO – Qual a sua idéia?

MEL - Que façamos uma arca e assim possamos salvar nossas vidas!

TODOS – É, É, É!

DEDÉ – Será que vai dar tempo?

GUTO – Claro que sim, tem um material lá no porão que pode ser usado.

MEL – Então vamos lá galera! Mãos a obra!

(SAEM, FICANDO OS ANJOS DEDÉ E SARA).

MARINA – Isso não vai dar certo!

ÂNGELO – Veremos Marina!

SARA – (Está pensativa Dedé se aproxima).

DEDÉ – O que é que meu arroz de leite ta sentido heim? Fala pra painho fala.

SARA – Ai Dedé eu estou passando por uma crise extra – existencial. Nós precisamos bater um papo sério.

DEDÉ – Não. Neném não quer conversar, neném quer aproveitar o fim do mundo. Nem quer gugu dada.
MARINA – Ai que cara chato! Eu não agüento, eu vou me envolver!

ÂNGELO – Espera Marina! Marina!

MARINA – (Aproximando-se) Êpa, Êpa, vamos por ordem nesse relacionamento, (Para Dedé) olha benzinho, quer parar de agir como idiota e escutar a tua na namorada?

DEDÉ – Neném ta cutando. Fala meu peixe frito, fala.

SARA – Eu tenho um negocio muito serio pra te dizer.

DEDÉ – Ai meu coração! Pelo amor de Dada, pode falar eu sou forte você ta grávida é isso?
SARA – Claro...

MARINA – Que grávida o quê? Se ela tivesse grávida estaria com essa cara de cachorro com dor de barriga?

ÂNGELO – (Puxando Marina) Marina você só está piorando as coisas, deixa eles conversarem em paz!

SARA – Dedé... Olha, eu não sei nem como começar.

MARINA – Começa pelo fim querida, sempre dá certo. Respira e manda ver!

SARÁ – Olha... Foi ótimo tudo que passamos juntos, mas... Eu acho melhor a gente parar por aqui.

DEDÉ – Não, ai meu Deus! (Chora desesperadamente) Não, não, meu pãozinho de queijo, (Ajoelhado aos pés dela) Não faz isso comigo! Eu te amo! Te amo! Te amo...

MARINA – (Cortando-o) Filhinho, ela não te ama mais!

ÂNGELO – Para Marina! Não ver que o cara ta sofrendo.

MARINA – Bem feito! Quem manda ele ficar falando feito idiota! (imita-o) neném quer gugu dada?

DEDÉ – (Para Sara) isso só pode ser pesadelo. Diz meu presutinho, qual o motivo? É outro cara?

SARA – Não. Não é.

DEDÉ – Eu sei. Eu sinto que é, fala... Quem é o dito cujo (Grita) fala quem é! Que eu vou matar esse...
(ÂNGELO, DEDÉ E MARINA DISCUTEM)

SARA – (Grita) Eu sou Lésbica!

ANJOS – Ó, Ó, Ó!

DEDÉ – Ai meu coração! Pelo amor de dada!

ÂNGELO – Como assim lésbica? Você quer matar o rapaz?

SARA – Eu não sei direito ainda, eu estou confusa, eu preciso de um tempo para me decidir.

ÂNGELO – E como é que ele fica enquanto isso?

SARA – Ele se vira! Amanhã é o fim do mundo, e eu não quero morrer com essa duvida. (Chora) aí ta sendo tão difícil pra mim. (Para Marina) ai mim da um abraço!

MARINA – Êpa sai pra lá, fofa! Eu sei como é, começa pedindo abraço, depois ta pedindo beijo na boca.

SARA – Isso é preconceito sabia? Ai eu sofri meu primeiro preconceito. (Sai).

DEDÉ – Sara...

MARINA – Te conforma queridinho!

DEDÉ – Bebê, meu sorvete de morango, volta aqui!

ÂNGELO – Olha Dedé. Às vezes as coisas mudam e nunca mais são as mesmas... É a vida, ela sempre segue em frente, você deveria fazer o mesmo.

DEDÉ – Não! Eu não vou desistir da minha potoquinha. (Sai).

MARINA – É as máscaras começaram a cair!

ÂNGELO – Não cante vitória antes do tempo Marina!

(AFASTAM-SE)

GUTO – (Entrando) Ai, o meu amor pela Mel está me sufocando, eu preciso me declarar pra ela antes que seja tarde demais.

BRUNO – (Entrando) Aí maluco, eu tô preocupadão com a arca? Tipo assim, aquele material não é muito resistente tá ligado?

GUTO – É. O pior que arca é a nossa única esperança de sairmos vivos dessa.
BRUNO – Aí jóia rara, eu to rilex com essa parada, eu estou em processo de purificação me preparando para ser arrebatado.

GUTO – Bruno o que deu em você heim? Você pirou?

BRUNO – Os sinais há muito tempo que começaram... Guerra, revoluções, e esse tal de aquecimento global, a vinda do criador está próxima.

GUTO – Eu tenho mais o que fazer do que ficar ouvindo suas loucuras meu caro Bruno!

BRUNO – Tipo assim o que, (Imita-o) meu caro Guto?

GUTO – (Cochichando) Eu preciso encontrar uma forma de me declarar pra garota que eu amo. Eu amo muito ela. Mais eu não consigo dizer isso pra ela. Quando eu penso em falar me dá uma dor de barriga, aí trava tudo!

BRUNO – Seu caso é sinistro meu!

GUTO – Espere aí, você pode me ajudar.

BRUNO – Eu? Mais como?

GUTO – Você pode ensaiar comigo, fingindo ser a garota!

BRUNO – (Anima-se) Tipo assim, teatro?

GUTO – É mais ou menos.

BRUNO – Irado meu, eu sempre quis ser ator cara, tipo assim eu mando benzão!

GUTO – (Incorpora) Oi...

BRUNO – (Incorpora) Ouço vozes, alguém? Em algum lugar... Quem me chama?

GUTO – Ai gata! Sou eu Guto! Eu queria falar com você.

BRUNO – Ué, mais você não já está falando, garoto.

MARINA – Isso não vai dar certo!

ÂNGELO – Vê se fica quieta Marina!

GUTO – Olha eu queria abrir meu coração para você!

BRUNO – Como assim, abrir seu coração? Ó, eu não posso ver sangue, eu sou tão sensível!

MARINA – Eu vou me envolver!

ÂNGELO – Você não vai pra lugar nenhum, vem comigo! (Saem, Pati vem entrando e escuta Dedé e Guto).

BRUNO – Ai Guto, eu estou ficando confusa com suas palavras.

GUTO – Eu fico louco quando te vejo, meu coração dispara, minhas pernas ficam bambas... (Voltando a si) Aí ta vendo é só começar a falar que já está me dando uma dor de barriga!

BRUNO – (Voltando a si) Continua aí Guto, (Voltando à personagem) eu to ficando tipo assim doidinha por você!

GUTO – Então lá vai. Eu queria... Eu queria tanto te abraçar, te beijar!

BRUNO – Essa sua boquinha linda (Pati Cada vez entende menos, abraçam-se).

PATI – (Entrando) Ai que lindo! Beija, beija, beija! (Eles se afastam).

PATI – Ai amiguinho, tranqüilo! Eu sou mente aberta, eu não tenho preconceito. Eu adoro uma linda história de amor!

GUTO – Que história de amor o que maluca isso aqui era apenas... TEATRO! (Sai)

PATI – Ai ele magoou, espera Guto! (Sai).

MARINA – (Entrando) Oi Bruninho! Olha, eu queria mesmo falar com você.

BRUNO – Tranqüilo aí, manda ver jóia rara!

MARINA – (Rir) Eu estou surpresa em ver o quanto você é tolo!

BRUNO – Como é que é?

MARINA – Você não ama a Mel.

BRUNO – Eu sou ligadão na dela.

MARINA – Como pode ser? Se você estava dando força para o pateta do Guto se declarar pra ela.

BRUNO – Então a garota era a Mel! Safado.

MARINA – É, e você vai ficar aqui com os braços cruzados? Lute por ela cara! Use todas as suas armas. Afinal você não tem mais nada a perder. Chore, implore, grite e se preciso for... Mate!

MEL – (Entrando) Oi Bruno, você viu a Pati?

BRUNO – Não, mais tipo assim, eu tava irado, doidão pra te ver.

MEL – Bruno se é sobre aquele assunto chato novamente...

BRUNO – Ai gata, não faz assim! Que maltrata o coração do gatão aqui.

MEL – Bruninho, eu só gosto de você como amigo.

MARINA – (Puxando Bruno) Qual é Bruno se liga! Atitude meu! Esse papinho de amigo não ta com nada.

BRUNO – Aí Mel, tipo assim gata, deixa eu te provar que posso lhe fazer feliz.

MEL – Não Bruno! Meu coração já tem dono.

BRUNO – Gata não faz assim que eu gamo! (Se ajoelha)

MEL – Para Bruno, para! Olha a gente não escolhe quem ama o coração dar as ordens à gente só obedece.

MARINA – Reage mané!

BRUNO – E tipo assim, quem é o dono do seu coraçãozinho?

MEL – Isso eu não posso contar!

BRUNO – É o mane do Guto não é?

MEL – O Guto? De onde você tirou isso?

BRUNO – Ou você fica comigo, ou eu mato aquele pateta! (Sai).

MEL – Bruno!!! Ai meu Deus e agora? Marina faz alguma coisa.

MARINA – (Rir) Eu? Ora, te vira querida! (Sai)

MEL – Ai meu Deus!

PATI – (Entrando, traz consigo uma tigela com sal e um livro de simpatia) Agora eu tenho que me concentrar, tenho que ficar zeem, para minha simpatia dar certo! Aum! Aum! Aum!

MEL – (VAI SAINDO, VÊ PATI E RECUA) Pati, Pati, ó Pati!

PATI – Depois amiga agora eu to ocupada!

MEL – O que você está fazendo Pati?

PATI – Não posso falar! Ninguém pode saber que eu vou fazer uma simpatia para desencalhar! Ai eu falei... Mas você é amiga, e eu acho que amiga pode.

MEL – Ai que legal você vai fazer macumba, eu sempre quis fazer isso. Posso te ajudar?

PATI – Pode. Primeiro concentra. Aum!

MEL – (Concentrando-se) Aum, aum, aum!

PATI – Agora relaxa, solta os braços, mexe a cabeça e pra extravazar grita AU!

MEL – (Segue todas as instruções) Au!

PATI – Criou o clima, agora pega o sal aí na tigela amiga, e faz um circulo em volta de mim e repete – Nega Maluca! Nega maluca!

MEL – Ta legal, (Segue todas as instruções). Vem cá Pati, quem é essa tal Nega Maluca?

PATI – Ai amiga sei lá, deve ser alguma santa! Agora é comigo! (Lendo o livro) em nome de Santo Antonio, peço que Vênus, a deusa do amor me arranje um namorado do jeitinho que eu quero: (Sonhando) lindo, alto, cheio da grana, carro importado, loiro, olhos azuis, e que me ame pra valer!

MEL – (Rir) Pati você não acha melhor pedir um homem normal?

PATI – E o que foi que eu pedi amiga, um et?

MEL – Não, você pediu um príncipe encantado, só faltou um cavalo branco. Quem muito quer nada tem, viu Pati, por isso que você está encalhada.

PATI – Ai amiga você falando assim, parece o padre Dodô.

MEL – (Já pulando) Nega maluca doze, nega maluca 13...

SARA – (Entra) Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra...

PATI – Ai, eu perdi as contas.

MEL – onde essa maluca, achou tanta pedra?

SARA – Ser ou não ser, eis a questão!

MEL – (Aproxima-se de Sara) Tudo bem com você Sara?

SARA – Tudo péssimo minha filha, eu estou num dilema terrível... Tão confusa... Olha é que eu sempre namorei com homens, sabe, mais sempre senti atração por mulheres.

MEL E PATI – Ó, Ó, Ó!

SARA – Pois é a mulher é carinhosa, sensível, meiga, compreensível, tem o corpo lindo... Já o homem é só um monte de músculo, cabeça vazia e sexo. Ai mel... (Querendo abraçá-la).

MEL – Êpa, não olha pra mim não querida, eu sou espada.

PATI – Amiguinha mais espada não é coisa de homem?

MEL – Eu sou espada por que... Por que... Porque se ela vier pra cima de mim eu corto ela em pedacinhos!

SARA – Ai! Eu só sei que nada sei, ou melhor, a única coisa que eu sei é que não posso morrer com essa duvida. Ó duvida cruel!
PATI – Olha amiga. Vamos fazer um teste, você tem torneirinha?

SARA – Torneirinha? Torneirinha... Claro que não Pati!

PATI – Então você é mulher, bobinha!

MEL – Vamos fazer um teste? Sara, responda a pergunta! Você faz xixi em pé ou sentada?

PATI – Ou deitada?

SARA - Deitada?

MEL – Não liga pra Pati não Sara, vai responde.

SARA – Eu costumo fazer sentada, mas... Eu já fiz em pé pra ver como era a sensação.

PATI – Sara, você quer saber minha opinião?

SARA – Não!

PATI – Mais eu vou dizer assim mesmo! Olha o Dedé é um cara legal, fica com ele, e esquece essas coisas.

SARA – Eu não posso lutar contra mim mesma. E se eu for lésbica? Sem falar que se eu for mesmo lésbica, se eu morrer namorando um homem eu vou morrer sendo viada!

MEL – Isso é verdade. Eu não tinha pensado nisso.

SARA – Meninas me ajudem! Olha, se eu fosse homem vocês namorariam comigo?
MEL – Eu não.

PATI – Mel como você é falsa! Olha amiga, eu namoraria sim com você!

SARA – Jura Pati? Ai ate que você não é tão chata quanto parece.

MARINA – (Entrando) Ai que lindo! O mundo prestes a ser coberto por água e vocês aí nessa tranqüilidade.

MEL – Eu vou trabalhar na arca. (Sai).

PATI – Eu vou procurar um namorado. (Sai).

SARA – Eu vou fazer a barba!

MARINA – O quê?

SARA – Quem sabe me barbeando eu descubra a minha verdadeira identidade. (Vai saindo, esbarra com Dedé).

DEDÉ –– (traz consigo um pedaço de madeira) Sarinha!

SARA – É, sou eu!

DEDÉ – Você já está melhor minha costelinha de porco?

SARA – Eu não estava doente.

DEDÉ – Bebê, quem sabe se você procurar um psicólogo, tomar uns remédios...

SARA – Dedé, eu já falei, eu preciso pensar.

MARINA – Carinha você é grudento, deixa a menina pensar um pouco, dar espaço!

DEDÉ Painho vai deixar bebê pensar a vontade...

MARINA – Assim é bem melhor!

DEDÉ – Pensa com carinho tá, minha coxinha de frango. (Mete a paulada nela).

SARA – (Desmaia)

ÂNGELO – (Entrando) O que você fez?

DEDÉ – Meti o pauzinho na cabeça do neném.

MARINA – Eu não tive nada com isso!

ÂNGELO – (Para Dedé) Você ficou maluco?

DEDÉ – Ela vai ficar bem, ela só estava um pouco ruim da cabeça.
ÂNGELO – (Faz gesto) Sara!

DEDÉ – Não mexe...

SARA – (Acorda) onde é que eu estou? Quem são vocês?

ÂNGELO – Eu sou Ângelo, um anjo da guarda!

SARA – (Para Ângelo) Mamãe!!! Que bom ver a senhora, eu estava com saudades. (Abraçando-o)

ÂNGELO – Eu não sou sua mãe!

DEDÉ – Eu disse que ela não estava bem.

MARINA – Você até que fica bem de mamãe Ângelo!

ÂNGELO – Sara, olha levanta! Mim Ângelo, anjo da guarda! Tu Sara (Indicando Dedé) Ele Dedé...

DEDÉ – (Cortando-o) Seu namorado.

SARA – (Imitando Ângelo) Eu sou um anjo da guarda, você Sara (Para Marina) namorada dele (Para Ângelo).

MARINA – Sara é você meu bem, meu nome é Marina.

SARA – (Para Marina) Sara é você meu bem, meu nome é Marina.

MARINA – Olha só benzinho, se eu te der umas tapas você volta rapidinho ao normal.

SARA – (Para Ângelo) Mamãe ela quer bater em Marina!

ÂNGELO – Calma sarinha vem comigo, você precisa tomar um ar!

MARINA – É cada louco que me aparece! (Sai)

DEDÉ – Meu pastel de carne, Sarinha, espera por mim. (Sai)

MEL – (Entrando) Mas onde está o Guto?

GUTO – (Entrando) Ai Jesus Cristinho, me ajuda aí vai! É agora ou nunca!

MEL – Guto que bom ver você! Eu pensei que... (Abraça-o)

GUTO – Que...

MEL – Nada. É que de repente mim deu uma vontade de abraçar as pessoas que são importantes pra mim e dizer o quanto elas significam.

GUTO – Ah é? E o que eu significo pra você?

MEL – Muito, muito, mais do que você pensa!

GUTO – Mel... Eu tenho um segredo pra te contar!

MEL – Segredo? Eu adoro segredo! Fala!

GUTO – Eu... Eu... Ai tá me dando uma dor de barriga!

MEL – Guto, eu não sou nem um monstro de sete cabeças, fala de uma vez eu não mordo!

GUTO – Mais eu tenho vergonha... Fecha os olhos, então!

MEL – Mais pra quê?

GUTO – Por favor!

MEL – Tudo bem! (Fecha os olhos, Guto depois de muito relutar a beija).

GUTO – (Envergonhado) Olha desculpa, eu sei que eu sou um idiota, que eu não deveria... (Mel o beija em seguida entre olham-se e riem).

ÂNGELO – (Entrando) Bravos! Bravos até que fim, já não era sem tempo.

GUTO – Ai Ângelo mim morde pra ver se eu to sonhando!

ÂNGELO – Tudo bem! (Morde-o)

GUTO – Au!!! Não era pra levar á sério!

ÂNGELO – Você que pediu!

MEL – Ai Guto, eu sonhei tanto com isso! Vamos morrer juntinhos!

GUTO – É, perdemos muito tempo sabia?

MEL – Ah é?

GUTO – É mais chegou à hora de recuperar o tempo perdido! Vamos consumar nosso amor! (Pega–a nos braços e saí).

ÂNGELO – Aí o amor!

PATI – (Entrando) Mau não me quer, bem também não me quer... meu Deus que desperdício, uma gatinha assim como eu ficar aqui largada, desamparada... Ó céus, ó vida, ó azar! Ninguém me quer. Qual será o meu problema? Porque ninguém me quer?

ÂNGELO – (Aproxima-se) Você é o problema Pati!

PATI – Como assim Anjinho?

PATI – Eu só quero um cara legal, que saiba me valorizar, a maioria dos homens só quer brincar. E eu, sou maluquinha assim, mas eu tenho coração.

ÂNGELO – Mas você só irá encontrar essa pessoa se parar de procurá-la com a cabeça e passa-la a procurar com o coração.

MARINA – (Entrando) Ai que lindo! O anjinho ajudando a encalhada. Por que ao invés de conversa fiada, você não conta a verdade pra ela.

AMBOS – Verdade?

MARINA – É. Conta que ela sofre a toa, e que ela já mora no coração de alguém.

ÂNGELO – Do que você está falando?

MARINA – Você sabe tanto quanto eu Ângelo. Pati, o Guto lhe ama!

AMBOS – O Guto?

MARINA – É só que ele é tímido! Tadinho, não consegue se declarar!

PATI – Jura! Ai, eu não vou perder mais tempo. Eu vou falar com ele!(sai)

ÂNGELO – Volta aqui Pati!(para marina) Tá maluca? O Guto gosta da Mel.

MARINA – (Rir) Que nada bobinho quem gosta de Mel é abelha.

ÂNGELO – Por que você fez isso?

MARINA – Ah, sei lá deve ser porque eu sou má!

SARA – (Entrando sendo seguida por Dedé) Mamãe, que bom que eu te encontrei, manda ele parar de andar atrás de mim e de me chamar de cachorro quente!

ÂNGELO – Colabora, não é Dedé! Calma Sarinha, tudo vai se resolver!

SARA – (Abraçando-o) Mamãe fica comigo!

DEDÉ – Sarinha faz um esforço vai, tenta lembrar do Dedé tenta!
SARA – Dedé, você é Dedé, eu lembro!

DEDÉ – Lembra? Ai que bom meu moraguinho!

SARA – Você é o coelhinho da páscoa!

DEDÉ – Pelo amor de Dada! Cale a boca! Sai deste corpo, ele não te pertence. Eu quero a Sarinha de volta! Ângelo faz alguma coisa ela está possuída pelo o coisa ruim!

BRUNO – (Entrando) Êpa, êpa, que papo sinistro é esse?

DEDÉ – A Sara está endiabrada!

MARINA – Endiabrada nada, mete uns socos na cara dela que ela volta ao normal!

BRUNO – Só pode ser os sinais do fim dos tempos! Dedé pode deixar comigo, eu vou mandar esse coisa ruim para o quinto dos infernos!

MARINA – Desde quando você é exorcista?

SARA – Mamãe, eu to com medo! Quem é ele?

BRUNO – Eu te repreendo coisa ruim! Eu que agora sou um cara tipo assim: iluminado, vou mandar esse espírito de volta para as profundezas! Vai de ré Satanás, sai deste corpo que ele não te pertence! (Faz movimentos estranhos em volta de Sara, e também bate nela, Ângelo tenta protege-la).

SARA – Mamãe! (Desmaia, Ângelo e Bruno discutem, Dedé pega Sara nos Braços e sai despercebido com ela).

ÂNGELO – (Voltando a si) Ué, mais cadê a Sara?

BRUNO – Só pode ter sido arrebatada pelo demônio!

MARINA – O Dedé saiu com ela nos braços, e do jeito que ele está neurótico é bem capaz dele cometer uma loucura!

ÂNGELO – (para Bruno) Se acontecer alguma coisa com ela, a culpa será toda sua. (Sai)

BRUNO – Como assim, toda minha? (Sai, entra Mel e Guto).

MEL – (Ambos despenteados) Ai Guto, você foi tão carinhoso, tão romântico, eu adorei!

GUTO – É, comecei bem!

MEL – Seu bobo! (Riem)

MARINA – (Aproximando-se) Mel, que bom te encontrar! O Bruno está lá no porão desesperado, ele precisa de você!

MEL – Obrigada Marina! Mais o que será que houve, Eu já volto amor! (Beija-o)

GUTO – Ai, eu não sou mais BV, não sou mais virgem, e o melhor estou com a mulher da minha vida... Ai, agora posso morrer feliz!

MARINA – Eu odeio a felicidade alheia! (Faz gesto, entra Pati).

PATI – Guto! Oi amiguinho!

GUTO – Oi Pati! Ai, eu estou tão feliz! Pela primeira vez na minha vida eu estou amando!

PATI – Ai que lindo, jura’!

GUTO – Quando eu estou perto dela meu coração disparam, minhas pernas tremem...

PATI – Aí Guto, eu nunca ouvi isso de ninguém!

GUTO – Um dia você ouvirá Pati!

PATI – É mais ninguém gosta de mim.

GUTO – Um dia você encontrará um cara bem bacana, você vai ver.

PATI – É, mas hoje é o meu último dia de vida... Ah Guto pode falar a verdade, eu já sei de tudo.

(MEL VEM ENTRANDO E ESCUTA)

GUTO – Então a Mel já lhe contou?

PATI – Todo mundo sabe, que você me ama, porém nunca teve coragem pra se declarar...

GUTO – Como é que é? (Pati Beija Guto loucamente).

MARINA – Que coisa feia Guto, ai to passada!

MEL – (Aproximando-se) Guto!

GUTO – (Surpreso) Mel!

PATI – (Para Mel) Ai amiga, eu finalmente vou casar!

MARINA – Gente desculpa, mas eu já me envolvi. Pati o mesmo papinho que esse safado disse a você, disse pra mel. Ele usou as duas.
MEL – Como você pode?

GUTO – Gente, isso não passa de um mal entendido...

MARINA – (Interrompendo-o) Você brinca com os sentimentos de duas amigas, e tem a cara de pau de dizer que foi um mal entendido?

MEL – Eu odeio você Guto! (Sai correndo)

GUTO – Mel! (Corre atrás dela)

PATI – Eu sabia, todos os homens são iguaizinhos! (Sai)

MARINA – (Rir) Gente, que dramalhão! Isso daria uma bela peça de teatro! (Entra Ângelo e Dedé) Então, a Sarinha morreu?

DEDÉ – Não, ela agora está descansando.

MARINA – Vem cá, me responde uma coisa vocês não estão preparando uma arca? Então? Por quê essa preocupação com a vida? já que todos acreditam que vão sobreviver!

DEDÉ – Quem garante que arca vai dar certo? É melhor prevenir. Se morrermos, morreremos felizes. Se sobrevivermos será o inicio de uma nova vida.

MARINA – Faz me rir! Ai, eu vou espalhar meu doce veneno por aí. (Sai).

DEDÉ – Ai que falta eu sinto da Sarinha...

ÂNGELO – (Entrando) Dedé, levanta a cabeça. Olha cara, você não pode limitar toda a sua vida a uma pessoa. Você tem que aprender a si amar, se valorizar, olha em volta existe outras garotas legais.

DEDÉ – Não! Eu só quero a Sarinha!

ÂNGELO – Dedé, francamente, pra reconquistar a Sara só mesmo se você vestisse saia.

DEDÉ – Não!... (Tendo idéia) Sim! É isso! É isso! Obrigado Ângelo! (Beijando seu rosto) Você é demais. (Sai).

ÂNGELO – Sou? É eu sou!

GUTO – (Entrando) A Mel não quis nem olhar na minha cara... Eu sabia, estava tudo bom demais pra ser verdade!

ÂNGELO – (Aproxima-se) Oi Guto!

GUTO – Oi Ângelo! Por que sempre dar tudo errado na minha vida? Eu trabalho aqui no galera bar, há anos, Meu salário mal dar pra me sustentar, meu patrão é um chato. Meus pais nem se lembram que eu existo. A mulher que eu amo... Agora me odeia. Eu não quero mais ficar aqui com eles. Eu vou embora.

ÂNGELO – Como assim?

GUTO – Eu sou um idiota Ângelo, ninguém vai sentir minha falta. Vai ser melhor pra todo mundo.

ÂNGELO – Guto, você não pode desistir assim, e a arca?

GUTO – Do que vale sobreviver, se eu vou ficar sem a Mel. Eu vou me despedir da galera, e depois eu vou dar o fora daqui. (Sai).

ÂNGELO – Tudo culpa da Marina, eu tenho que fazer alguma coisa. (mel entra em cena) Mel, porque tanta tristeza?

MEL – De repente eu estou me sentindo tão vazia. Quando pensamos que o príncipe dos nossos sonhos está a nossa frente, ai sem você perceber, sem mais nem menos, ele se transforma em um sapo.

ÂNGELO – As coisas nem sempre são o que parecem ser.

MEL – Como assim?

ÂNGELO – Você viu o que quis ver. A Marina armou essa armadilha e vocês caíram feitos patetas.

MEL – A Marina... Claro, tudo se encaixa perfeitamente. E agora?

ÂNGELO – Se você não agir rápido, pode ser tarde demais. Ele decidiu partir.

MEL – Não! Eu não vou perdê-lo, obrigada Ângelo! (Sai).

ÂNGELO – Yes! Mais um ponto para as forças do bem! (Sai)

SARA – (Levantando-se). Senhor, preciso saber se eu sou ou não lésbica, por favor, me mande algum sinal, alguma luz! (Dedé entra vestido de mulher, muito desajeitado).

DEDÉ – Au! (Cai)

SARA – O que foi isso? (Voltando-se para Dedé).

DEDÉ – (Levantando-se) Ai fui eu que caí.

SARA – Quem é você?

DEDÉ – Eu? Eu estava andando aqui perto, triste pensando no resto da minha vida, aí vi o bar, vi você e decidi bater um papinho, posso?

SARA – Claro, senta aí! Como é mesmo o seu nome?

DEDÉ – Meu nome? Meu nome... Meu nome... (A parte) E agora? Meu nome é... Adedonha!

SARA – Adedonha? Parece nome de brincadeira.

DEDÉ – (Rir) E, que minha mãe era muito divertida.

SARA – (Comprimentando-a) Eu sou Sara prazer!

DEDÉ – Encantada! (Beija a mão dela) Ai mulher, que mãos lindas você tem!

SARA – Obrigada! E aí como você está se preparando, para morrer?

DEDÉ – Ai estou muito nervosa! Meu coração está acelerado! Olha só, sente meu coração! (Com a mão dela em seu peito).

SARA – É você tem razão! (Sorrir)

DEDÉ – Que sorriso lindo você tem!

SARA – Você tem um jeitão, meio estranho!

DEDÉ – Você acha, são seus olhos. Ai eu fiquei tão tímida!

SARA – Você parece ser uma pessoa legal Adedonha.

DEDÉ – Ai obrigado Sara! Você que é uma gracinha, uma musse de maracujá!

SARA – Estranho, você falando assim, parece irmã do Dedé.

DEDÉ – Dedé? Eu nunca ouvi falar de tal pessoa.

SARA – Ele é meu ex-namorado.

DEDÉ – Ex? Mais porque vocês terminaram?

SARA – Por que... Porque... Eu decidi me assumir eu sou... Lésbica.

DEDÉ - Jura!!! (Rir) Eu também sou lésbica da cabeça aos pés!

SARA - Mais que coincidência!

DEDÉ – Coincidência nada, é destino. (Rir).
Sara ai eu estou tão nervosa... É... Olha nós duas... Você sabe, o mundo está pra se acabar, você não quer... Assim... Ficar comigo!

SARA – O quê?

DEDÉ – Ai eu estou sentindo algo tão forte por você. Foi amor à primeira vista. Fica comigo!

SARA – (Abraçando-a) Ai você vai ser minha primeira namorada! (Beijam-se, Bruno entra).

BRUNO – Ai, a Sara está namorando, Heim!

SARA – Bruno, essa é adedonha, Adedonha esse é o Bruno.

BRUNO – Você é tipo assim uma gracinha, tá ligada!

DEDÉ – Olha aqui meu filho você me respeite, eu sou uma moça de família.

BRUNO – O bom, é que vamos ter mais gente pra ajudar na construção da arca.

DEDÉ – Eu não vou ajudar em nada meu filho, eu sou uma Lady.

BRUNO – Aí dona Lady, todo mundo tem que ajudar. Eu que nunca trabalhei, nem pra papai estou pegando no pesado.

SARA – Ah, isso é verdade.

BRUNO – É mais agora eu percebi que esse lance de dinheiro é a maior furada. Que o maior de todos os tesouros vem tipo assim, do criador.

DEDÉ – Isso deve ser da boca pra fora, quero ver você provar.

BRUNO – É prova que você quer? Você terá rélis mortal infeliz. (Retira várias cédulas de dinheiro do bolso e rasga) eu não preciso mais disso! Estou liberto, e quer saber eu vou seguir o exemplo de São Francisco e me libertar de todos os bens materiais. (Tira a roupa).

DEDÉ – Pelo o amor de Dada, ele vai ficar pelado!

BRUNO – (Só de samba canção) Estou puro, já posso ser arrebatado pelo espírito Santo!

SARA – Não liga Adedonha, é que desde que ele soube que o mundo vai acabar cismou em virar Santo.
BRUNO – E vocês pobres pecadoras, por que não seguem meu exemplo?

DEDÉ – Eu estou bem obrigada.

BRUNO – (Pega na mão de Dedé) Vem Adedonha, venha para o caminho da luz.

SARA – Ela não vai pra lugar nenhum meu filho. (Puxa do outro lado, ambos disputam Dedé, que na confusão deixa cair a peruca).

SARA – Dedé!

DEDÉ – Sara!

BRUNO – Dedé!

DEDÉ – Bruno!

SARA – Você mim enganou, seu... (Da um soco na cara dele, sai).

DEDÉ – Sara eu posso explicar...

BRUNO – Aí, você vacilou heim! (Sai).

DEDÉ – Droga! (Sai).

GUTO – (Entrando) É eu vivi tantas coisas aqui... Mais agora é hora de partir. (Vai Saindo).

(A CENA A SEGUIR PASSA-SE COMO EM CÂMERA LENTA).

MEL – Guto!

GUTO – Mel!

MEL – Não se vá!

GUTO – Eu vou sim.

MEL – Eu errei me perdoa!

GUTO – Mel!

MEL – Eu te amo!

GUTO – Eu também te amo!

MEL – Então fica!

GUTO – Fico sim! (Correm um para o outro, abraçam-se e beijam-se. A cena volta ao normal).

MEL – Ai meu amor, por um momento...

GUTO – Não diz nada.

ÂNGELO – (Entrando) Yes! O amor venceu!
MARINA – (Entrando) Ora essa! Isso não vai ficar assim! (Faz gesto Bruno entra, ele está com veste franciscana).

BRUNO – (Entrando) E aí ovelhas perdidas, o Brunão chegou na área!

GUTO – Aí Bruno! Cara valeu a força eu e a Mel estamos juntos.

BRUNO – (Rir) É, pena que é por pouco tempo.

MEL – Para Bruno!

GUTO – Do que você está falando?

BRUNO – Cara, tipo assim eu vou matar você!

GUTO – (Surpreso) O quê? Mais por quê?

BRUNO – Você roubou a mulher que eu amo tá ligado!

MARINA – Ai, eu vou me envolver. Puxa logo esse gatilho maluco!

ÂNGELO – Como você pode se vestir de São Francisco e querer mal ao próximo?

BRUNO – Faz parte da minha missão. Ai anjinho, fica na tua, tá ligado, por que se não tu leva bala também, sacou.

ÂNGELO – Ora que pecado, ameaçar um anjo!

BRUNO – Chegou a tua hora Guto!

GUTO – Bruno que tal a gente tipo assim tentar resolver isso na paz?

BRUNO – Aí meu irmão tua hora chegou, tá ligado! (Aponta a arma e dispara. Mel joga-se na frente de Guto ela é baleada e desmaia).

TODOS – Mel!

GUTO – O que você fez maluco?

BRUNO – Eu não queria fazer isso, o tiro era pra você. (Marina sai de cena, entra Pati, Sara, e Dedé, que já vem vestido normalmente).

SARA – Que barulho foi esse? (Vêem Mel caída e ensangüentada).

DEDÉ – Mel!

PATI – (Corre ao seu encontro) Amiga! Fala comigo, amiga!

GUTO – Ângelo, você é um anjo ou o que? Faz alguma coisa!
ÂNGELO – (Observa Mel) Ela ainda não morreu.

SARA – Como assim?

ÂNGELO – A Marina levou a alma da Mel para as trevas. Só vocês podem tirá-la de lá.

DEDÉ – Você está falando que nós temos que ir pro inferno?

ÂNGELO – É isso aí! Eu posso levá-los em espírito ate lá. E quem sabe possamos resgatá-la. Você estão dispostos? A correr o risco de não mais voltar?

BRUNO – A culpa foi minha eu vou!

GUTO – Nós também vamos.

ÂNGELO – Então vamos logo, antes que seja tarde! (Dão-se as mãos e caem desacordados).

(BREU. TODOS SAEM DE CENA FICANDO MEL AINDA CAÍDA. MUDANÇA DE CENÁRIO. A CENA SE PASSA NO INFERNO. MEL ESTÁ DESACORDADA. ENTRAM OS DEMÔNIOS E A CIRCULAM. TRAZEM NO ROSTO UMA EXPRESSÃO DE RAIVA E DOR).

DEMÔNIOS/ CORO – O seu futuro é a morte! O seu futuro é a morte! (Entra Marina, Mel acorda).

MEL – Onde eu estou? Que lugar é esse?

MARINA – Seja bem vinda ao paraíso queridinha!

MEL – (Com medo) Eu estou no céu?

MARINA – Não benzinho, você está em lugar bem melhor, acredite!

MEL – Quem são eles? Onde está a galera? O que aconteceu comigo?

MARINA – Você é chata! Quer parar de fazer perguntas!

MEL – Eu vou embora daqui! (Tenta fugir, mais é impedida pelos demônios que a prendem em um circulo).

MEL – Marina, se essas coisas não me deixarem sair daqui. Eu, eu, eu, vou GRITAR!!!

MARINA – Grita querida, fique a vontade, a casa é sua!

(ENTRA TODOS, INCLUSIVE ÂNGELO).
MARINA – Uau! Vocês também vieram pra nossa festinha, vai ser melhor do que eu esperava!

ÂNGELO – Para com isso Marina! Nós viemos buscar a Mel e você nem ouse em nos impedir.

MARINA – Para de ceninha, vai Ângelo! Eles fracassaram na vida, chegaram ao fundo do poço e agora somente ele tem o poder.
Para mudarem essa situação. e mais ninguém!!!

GUTO - (Para Mel) Mel meu amor, tudo bem com você?

MEL - Não Guto, esses monstros me pegaram, bateram na minha cara, me chutaram, me chamaram de cachorra, gritaram comigo, e o pior quebraram a minha unha!

BRUNO – Desculpa Mel.

MEL – Muito feio o que você fez Bruno! Mais eu te perdôo.

PATI - Gente eu tô com medo! (Os demônios circulam em volta deles e os investigam).

SARA – Sem falar que esse lugar é quente, eu não vou ficar aqui por muito tempo!

(OS DEMONIOS OS RODEIAM)

GUTO – Aí pessoal, nós vamos ter que nos separar, quando eu der o sinal cada um corre pra um lado diferente. 1, 2, 3, já...

(CADA UM CORRE PRA UM LADO DIFERENTE, SEGUIDO POR UM DEMÔNIO, SE DEBATEM, PORÉM TODOS ACABAM SENDO ALGEMADOS).

MARINA – (Rir, os demônios zombam dos que estão amarrados) Bando de covardes, patetas, hipócritas! Estão sempre mascarados, fingindo ser o que realmente não são. (Rir) Chegou o fim do mundo... É o começo do fim... Todo mundo desesperado, querendo fazer em 24 horas, o que não fizeram em toda uma vida. (Pausa) Quer saber? Eu não vou esperar tsunami coisa nenhuma, eu vou acabar com vocês e é agora! Matem-os!

(OS DEMÔNIOS SE APROXIMAM, ELES GRITAM).

ÂNGELO – (Entra acompanhado por anjos) Parem! Vamos decidir isso de forma justa. Eu proponho um duelo. Quem vencer fica com eles.

MARINA – Duelo aceito! (Cumprimentam-se).

ÂNGELO – Que vença o melhor!

MARINA – Ou a pior!

(DEMÔNIOS E ANJOS SE ENFRENTAM. OS ANJOS CONSEGUEM LIBERTAR OS HUMANOS, PORÉM SOFREM DESVANTAGEM).

MARINA – É, parece que eu venci.

ÂNGELO – (Enfraquecido) Desculpa pessoal eu tentei. (Cai)

MEL – Não Marina, você não irá conseguir. Existem forças dentro de cada um de nós capazes de vencer todo o mal.

MARINA – Ah é o que, por exemplo?

GUTO – O amor!

BRUNO – A esperança!

SARA – A fé!

PATI – A amizade!

DEDÉ – A união!

MEL – A vida!

TODOS - Eu quero viver!!!

(SURGE UMA FORTE LUZ BRANCA, OS DEMÔNIOS E MARINA SAEM AOS GRITOS).

ANGELO – É isso ai vocês venceram, saíram do fundo do poço! (Eles comemoram). É mais a missão de vocês ainda não acabou.

SARA – Mais como podemos saber qual a nossa missão?

ÂNGELO – Primeiramente vocês deverão se conhecer... O engraçado é que os humanos costumam falar com o mundo via internet e o estranho é que nunca conseguem falar consigo mesmo.

DEDÉ – Quer dizer que todos nós já temos um destino traçado?

ÂNGELO – Não. Cada tem o poder de mudar seu próprio destino é o livre arbítrio. É necessário escrever sua história sem medo de assinar em baixo. Pessoal, agora chegou à hora de voltar pra terra. Todos preparados? Vamos nessa!

(BLECAUTE, VOLTA A LUZ ELES ESTÃO NOVAMENTE NO GALERA BAR).

PATI – Ufa, essa viagem foi demais! De novo! De novo!

MEL – Meu Deus eu nem acredito, eu venci a morte, eu tenho que fazer algo importante. (SAI).

SARA - O que vai ser de nós? A hora está chegando.

BRUNO - Pessoal, eu tive uma idéia, vamos todos pedir perdão a Deus através de uma oração.

GUTO – Boa, vamos morrer perdoados.

DEDÉ – Então vamos todos dar-mos as mãos uns aos outros e pedir perdão a Deus por todas nossas safadezas.

BRUNO – Eu conduzo este momento, seres nefastos e infiéis...

SARA – Mais que mudança repentina é essa Bruno? De marginal á santo anjo do senhor!

BRUNO – Eu me arrependi a tempo, e agora sou um homem purificado. Então vamos lá, repitam comigo: Senhor!

TODOS – (Repetem)

BRUNO – Aí paizão, tipo assim, nos perdoa meu irmão!

TODOS – (Repetem)

BRUNO – Aleluia! Gloria a Deus! Amem Senhor!

TODOS – (Repetem)

BRUNO – Pronto galera aconteça o que acontecer já temos a nossa vaga no céu! Agora é melhor cuidar-mos na arca! (Saem todos exceto Sara).

SARA – (pensativa)Meu Deus a minha vida pode está chegando ao fim... Eu preciso falar com uma pessoa (Pega o celular e disca o número) Alô! Mãe! Oi, tudo bem? Olha mãe eu sei, que há anos que eu não ligava pra senhora e que na última vez que nos vimos só brigamos. O mundo vai se acabar e eu não poderia morrer sem pedir perdão. Perdão por todos os desgostos que causei, pelas vezes que fui uma filha ingrata, e não esqueça que eu te amo, te amo. Eu também queria estar ai e te abraçar obrigada, Adeus mãe! (Desliga o celular)

(MEL ENTRA DE CABELO AZUL)

SARA – Meu Deus! Mel o que você fez no seu cabelo garota?

MEL – Pintei de azul, não está vendo?

SARA – Mais por quê?

MEL – Me deixa Sara, eu estou me sentindo linda!

SARA – Linda?

MEL – Eu sempre quis pintar o meu cabelo de azul, mas tinha medo do que as pessoas iam pensar...

SARA – Você está irreconhecível, se eu ti visse na rua iria pensar que você trabalhava em um circo! (SAI)

MEL – (COM UM ESPELHO) É eu realmente estou irreconhecível (RIR) Mais quem eu sou afinal? O que eu sou? Vejo no espelho apenas o reflexo de uma menina mimada e sem opinião. Pouco a pouco acabei me tornando uma coisa qualquer, algo que não sou eu de verdade, alias eu nunca vivi de verdade. Nem o cabelo eu tinha da cor que eu queria. Sonhos? Eu acho que nunca os tive isso só fez com que eu me tornasse um ser humano de vidro, e vidro um dia quebra. Mas hoje resolvi mudar pode parecer tarde, mas enquanto há vida há esperança.

PATI – (ENTRANDO) Ai amiga você ficou linda de cabelo azul!

MEL – Obrigada, Pati!

PATI - Eu queria te contar uma coisa...

MEL – Pode falar Pati.

PATI – Lembra do Petel?

MEL – Petel? Claro, era meu gatinho de estimação. Ele era adorável, uma gracinha, até que um dia ele apareceu morto...

PATI – Fui eu que matei.

MEL – O quê?

PATI – Ai amiga, eu tinha asma eu não queria que aquele gato feio me matasse. Então comprei, veneno e coloquei no bife dele.

MEL – Assassina!

PATI – Deve ser por causa daquele horroroso que eu tenho tanto azar.

MEL – Você lembra do ricardinho?

PATI – Lembro! Ai ele foi meu primeiro e único namorado. Foi um longo namoro de uma noite, que acabou ao amanhecer, aí amiga, eu ainda me emociono quando lembro!

MEL – O que você não sabe é que ele terminou com você, pra ficar comigo. Nós namorávamos escondidos.

PATI – Mel como você foi cruel, que falsidade! Ai fiquei pálida. (Pausa) sabe aquela blusa pink que você adorava?

MEL – Claro era linda, e ela brilhava a noite!

PATI – Pois é eu roubei e doei para aquela mendiga da esquina da rua de baixo!

MEL – Pati, aquela blusa foi caríssima!

PATI – Eu sei, mais a mendiga gostou e eu doei pra ela.

MEL – Você lembra daquela calcinha de oncinha que você me deu de presente? Eu odiei!

PATI – Eu nunca gostei da comida da sua mãe!

MEL – Seu pai sempre foi um mala! (Pausa).

PATI – Ai amiga eu tenho muito orgulho de você!

MEL – Ai Pati eu estou tão aliviada!

PATI – Eu também. Você precisava saber de tudo. (Entra Bruno e os outros trazendo a arca).

BRUNO – Atenção, a missão chega ao fim, tipo assim a arca está concluída.

SARA – Ainda temos uma chance galera!

DEDÉ – É, quem diria, conseguimos!

PATI – Eu quero brincar de titanic, eu sempre sonhei com isso!

DEDÉ – Eu brinco com você!

PATI – Você vai ser meu Leonardo Dicaprio.

DEDÉ – E você minha gatona. (Se abraçam)

PATI – Dedé... Posso confessar uma coisa? Eu sempre achei você uma gracinha!

DEDÉ – É eu sempre achei você muito legal.
PATI – Como eu sou boba, a pessoa que eu esperei a vida inteira estava bem de baixo do meu nariz.

DEDÉ – Se não puder está com quem ama, ame quem está com você! (Beijam-se).

PATI – Ai! Eu encontrei o grande amor da minha vida!

DEDÉ – Eu to feliz!

PATI – amiguinhos, Eu vou primeiro fazer o titanic mais o meu novo amor, não é amor?

DEDÉ – É meu docinho de goiaba! Vamos lá, agora você olha pra frente e abre os braços.

PATI – (De braços abertos) Eu to no titanic.

MEL – Dão licença, pombinhos. (Entrando na arca) Mais gente, a arca não é muito pequena?

GUTO – Será que ela é resistente?

MARINA – (Rir) Noé foi bem mais eficiente que vocês. Essa arca não agüenta nem uma chuva forte, quanto mais uma tsunami.

BRUNO – Sua força negativa não vai nos desanimar sua coisa. Vamos lá gente é vida ou morte?

TODOS – VIDA!

MEL – Falta menos de uma hora para o grande fim.

GUTO – Nós vamos conseguir! Estão prontos galera?

PATI – (PEGA O KIT QUE ESTÁ DENTRO DA ARCA) Parem! Nem mais um passo! Pessoal não podemos esperar a tsunami assim, sem nenhuma proteção. Temos que nos prepararmos com o kit tsunami, vamos amiguinhos, todo mundo usando as coisinhas que eu comprei: Óculos de banho, capa de chuva, guarda chuva, bóia...

BRUNO – Aí maluco tipo assim pra que esses troços?

PATI – Pra todo mundo se proteger da onda gigante... Mais se morrermos eu já preparei tudo! Vela, flores...

MEL – Pati, mais onde você tirou tanta grana pra tudo isso?

PATI – Ué, da minha poupança. Já que eu vou morrer gastei todo meu dinheiro, porque no céu ninguém precisa de dinheiro.

(TODOS VESTEM O KIT TSUNAMI)

DEDÉ – (Encantado) Cara, a Pati pensa em tudo!

PATI – (Envergonhada) Ai Dedé, obrigada pelo elogio.

BRUNO – Então galera, é melhor subirmos na arca. Aí galera, tipo assim (OBSERVANDO A ARCA) não cabe mais ninguém!

MARINA – Isso não vai prestar!

GUTO – Quem sabe se imprensarmos um pouco...

SARA - Tá maluco? Se subir mais alguém aí isso arrebenta.

TODOS - E agora?

MARINA - E agora filhinho, é se conformar com a morte.

ANGELO - Muita calma nessa hora. Vamos pensar pelo lado positivo: três ainda podem sobreviver pra contar a história.

MEL - Apenas três? Mais quem? (Eles se entre-olham).

MARINA - Simples, o mundo é dos mais Espertos. Dedé, Pati, e mel subiram na arca primeiro, portanto eles ficam, quem está fora morre.

ANGELO – Bem... Eu sou obrigado a concordar!

MEL – Guto!

GUTO – Mel!

SARA – Adeus galera!

DEDÉ – Sara!

BRUNO – Sinistro meu!

PATI - Tchau amiguinhos!

(PAUSA)

MEL – Sabe de uma coisa? Essa arca cabe todo mundo! Ninguém mais vai morrer. Eu não vou deixar. Vem todo mundo pra arca!

BRUNO – Aí maluco, ela está certa! Nós somos amigos e vamos ficar juntos!
SARA – Eu também concordo.

MEL – Todo mundo pra arca, agora! (Todos sobem na Arca).

MARINA – Isso não vai prestar!

ÂNGELO – Pessoal não faz isso, ai meu pai! Seja o que o senhor quizer.
<
MEL – Isso aqui está apertado fasta pra lá.

SARA – Fasta você! (Todos começam a se empurrar)

ÂNGELO – Eu não quero nem olhar. (A arca quebra).

GUTO – Ih quebro, ai!

TODOS – Ih, Íh, Íh!

(TODOS RIEM NERVOSOS, PORÉM EM SEGUIDA COMEÇAM A CHORAR).

SARA – Agora vamos todos morrer juntinhos.

PATI – Calma, calma é melhor nós acendermos as velas e esperar a desgraça acontecer! (Acendem a vela e deitam-se)

ÂNGELO – O que eles estão fazendo?

MARINA – Ué pose de defunto.

DEDÉ – Sara...

SARA – O que é Dedé?

DEDÉ – Eu entendo você!

SARA – Entende?

DEDÉ – Entendo cada um faz o que quer da vida.

SARA – Obrigada cara, desculpa por tudo. E você e a Pati se merecem, meu docinho de coco. (Abraçam-se).

PATI – Separa, separa que cachorrada é essa?

MEL – Sara... Me desculpa, apesar de tudo você é legal!

SARA – Me desculpa também, tá. Você é chata, mais eu gosto de você!

MEL – Pode me abraçar, eu não tenho preconceito! (Abraçam-se).

ÂNGELO – Atenção galera, agora é contagem regressiva, a onda está chegando!

GUTO – Agora eu posso morrer feliz. Eu te amo Mel.

MEL – Eu te amo Guto! (Para Pati) Tchau amiga.

PATI – Tchau amiga! Eu te amo Dedé!!!

DEDÉ – Eu te amo Pati!

TODOS – 5, 4, 3, 2, 1! (Gritam e correm de um lado para o outro desesperados, de repente a cena paraliza todos congelam. Entram anjos, por todos os lados.)

ANJOS/CORO – Quem espera que a vida seja feita de ilusão pode até ficar maluco, ou morrer na solidão. É preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer. É preciso saber! É preciso saber viver! Toda pedra no caminho você pode retirar, numa flor que tem espinhos você pode se arranhar. se o bem e o mal existem você pode escolher....é preciso saber viver!(durante a musíca todos voltam ao normal ainda sem entender nada)

MEL – Afinal, o que está acontecendo? Nós não deveríamos estar mortos?

ANJO 1 - Como vão as suas vidas? Como vão os seus sentimentos? Será que podem responder?

ANJO 2 - O mundo está cheio de homens vazios. Perdidos de se mesmos.

ANJO 3 - buscando prazer em coisas fúteis e auto-destrutivas. Esquecendo o verdadeiro sentido da vida.

ANJO 4 - o fim ainda não é dessa vez, foi apenas uma falha humana. Hoje Deus vos dar uma nova chance, para seguirem em frente e principalmente recomeçar.

ANJO 5 - Não esqueçam, a vida humana é uma peça de teatro, então riam, cantem, dancem, e viva cada momento de suas vidas intensamente.

ANJO 6 - Antes que as cortinas se fechem e peça termine sem aplausos. (Pausa, todos se entreolham).

MARINA – (Para Ângelo) É. Eu acho que o jogo acabou.

ÂNGELO – Você me deve parabéns, afinal eu venci.

MARINA - A batalha mais não a guerra!

ÂNGELO – É afinal enquanto houver vida, o bem e o mal irão se confrontar nos corações humanos.

MARINA – Você nunca irá me vencer a não ser em pequenas batalhas.

ÂNGELO – Veremos o grande dia se a próxima.

MARINA – Eu tenho pena de você!

ÂNGELO – Eu é que tenho de você!

MARINA – Idiota!

ÂNGELO – Idem!

MARINA – Vai ter revanche, aguarde! (Sai).

ÂNGELO – (Rir) Você não perde por esperar, pode vir quente que eu estarei fervendo. Pessoal, eu já estou indo. (Vai saindo, volta). Só mais uma coisa, aproveitem a vida intensamente. Cada dia como se fosse o ultimo, pois um dia desses... Será mesmo! (Sai).

PATI – Amiguinhos, a vida continua!

DEDÉ – Nós estamos vivos! (Comemoram).

GUTO – Bem que eu desconfiei que fosse só mais um alarme falso, como tantos que já houve.

MEL – Vida nova daqui pra frente!

BRUNO – Novas metas, novos objetivos, novos sonhos!

SARA – Sem medo de ser feliz.

GUTO – Como dizia o poeta, viver é não ter vergonha de ser feliz, cantar, cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz! Eu sei que a vida deveria ser bem melhor e será, mas isso não impede que eu repita.

TODOS – É bonita, é bonita, e é bonita!


E a vida Continua...

SACANAGEM

SACANAGEM
Inspirado na obra de Diego Fernandes: “Fala sério! É proibido ser diferente?”.

A peça se passa nos tempos atuais, e trata de problemas do cotidiano, o que faz com que o público se identifique com as personagens. Uma comédia bem séria. Que além de proporcionar diversão, traz a tona questões como: Casamento, castidade, virgindade, gravidez na adolescência, aborto, dst, e prostituição. Fazendo com que o público pense e reflita sobre seus reais conceitos.
Tudo começa quando Lucas é obrigado por sua mãe dona Estela, a casar com sua namorada, Kelly, que está grávida. Ele não aceita a idéia e continua á traindo com Bia a filha da empregada. Enquanto isso, Aninha sua prima, moça pura e inocente, que vem do interior para ajudar nos preparativos do casamento, se envolve com Miguel, um canalha, que só quer se aproveitar dela. Concomitante a tudo isso, seus irmãos: Rebeca, que se diz ser uma mulher moderna, tenta a todo custo levar o namorado Carlinhos, que quer casar virgem, pra cama. Zeca, um tímido rapaz que muda completamente, para conquistar á amada. E também Manu, uma patricinha que adora relacionamentos passageiros.
Sacanagem é então uma tentativa de resgatar valores tão necessários nos dias de hoje, como o amor, um sentimento que está sendo, pouco a pouco extinto de nossa sociedade.


PERSONAGENS

LUCAS- 18 anos- Um aventureiro que acaba sendo obrigado a casar com a namorada. Porém, ainda assim, ele continua sendo infiel a mesma.

KELLY- 17 anos- Uma garota apaixonada e muito ciumenta, que para segurar o namorado acaba, engravidando.

BIA- 14 anos- Uma jovem garota, que na tentativa de arrumar um namorado, acaba se envolvendo com Lucas.

ANINHA- 16 anos- Moça pura e inocente, que sonha encontrar seu príncipe encantado.

CARLINHOS- 17 anos- Sensível, romântico e apaixonado, sonha em casar virgem.

REBECA- 16 anos- Moderninha e fogosa, usa de toda sua criatividade para levar o namorado para cama.

MIGUEL- 19 anos- “Um galinha” que só pensa em diversão, bebida e mulher.

ZECA- 16 anos- Um tímido rapaz, que para conquistar à amada, muda completamente.

MANU- 17 anos- Não acredita no amor, metida a patricinha, e adora “ficar”.

DONA ESTELA- 39 anos- Viúva, mãe de Rebeca, Lucas, Zeca e Manu. Muito religiosa e conservadora da moral e dos bons costumes.

CENÁRIO - Uma sala com móveis modernos e arrojados. Com um corredor que dar para os quartos e outro para cozinha.

SACANAGEM
Original de Denilson David

PERSONAGENS
LUCAS
CARLINHOS
MIGUEL
ZECA
BIA
ANINHA
REBECA
MANU
KELLY
DONA ESTELA

NARRADOR – (VINDO DO MEIO DA PLATÉIA) Senhoras e senhores, o que é o amor? Lenda, superstição, sonho, realidade, ou pura ilusão? Este sentimento tão difícil de se explicar e tão mágico de se viver está sendo extinto pouco a pouco. Gravidezes na adolescência, dst’s, abortos, prostituições... conseqüências de uma sociedade que busca o prazer pelo prazer, essa geração tem se tornado cada vez mais cheia de sexo, de pornografia, e vazia de amor! E como já dizia um poeta “já estou cheio de me sentir vazio,” cheio de tanta sacanagem! (SAI E ABREM-SE AS CORTINAS).

DONA ESTELA- (ENTRA PARA ATENDER O TELEFONE, QUE ESTÁ TOCANDO) Alô! Oi, irmã Bastiana! Como vai? Ai, eu vou bem obrigada! Graças ao divino sangue de cristo, o Demônio saiu do rastro do meu filho! (LUCAS ENTRA SEM QUE ELA VEJA E ESCUTA A CONVERSA) Pois é, ele decidiu corrigir a besteira que fez, engravidou a namorada, sabe como são esses jovens de hoje. Não mais ele vai casar daqui à um mês. Você tá convidada, se o senhor permitir. Tchau, a paz irmã!

LUCAS- Como se não bastasse me obrigar a casar, a senhora ainda fica fazendo propaganda, é mãe?

DONA ESTELA- Claro filho, eu quero que todos fiquem sabendo. Ai, será o dia mais feliz da minha vida.

LUCAS- E o mais triste da minha!

DONA ESTELA- Filho não fala assim, se a Kelly escuta...

KELLY- (ENTRANDO) Eu já escutei dona Estela, (PEGANDO NA BARRIGA) tá vendo filhinho, seu pai não me ama mais, ele não quer mais nada comigo, eu sou uma desgraçada, eu não quero mais viver! Por favor, me mata dona Estela!

DONA ESTELA- Deus me livre, minha filha. Pelo sangue de cristo!

KELLY- Ai, eu tô ficando tonta, eu estou vendo uma luz... (DESMAIA).

LUCAS- Kelly! Mãe, faz alguma coisa!

DONA ESTELA- (GRITA) Bia, Bia! Traz água rápido! Kelly acorda Kelly!

BIA- (ENTRA CORRENDO COM UM COPO DE ÁGUA) Que agonia é essa, dona Estela.

DONA ESTELA- Tudo bem, mim da essa água minha filha. (JOGA ÁGUA EM KELLY, ELA TORNA) tudo bem querida?

KELLY- Lucas, olha pra mim, eu sou feia? Tenho mau hálito? Por que você não me ama mais?

DONA ESTELA- Claro que ama Kelly. O Lucas estava só brincando. Não era Lucas?

LUCAS – É era...

DONA ESTELA – Ai, o casamento de vocês será deslumbrante. Bia eu preciso de sua ajuda venha comigo. (SAI PARA COZINHA).

KELLY- Pedro Lucas Jorge Afonso e Silva, precisamos levar um papo sério.

LUCAS- O que é que tá pegando?

KELLY- Nosso casamento é daqui um mês, daqui a três meses o moleque nasce. E como é que nós vamos fazer pra dar de comer a ele?

LUCAS- E eu é que sei, dar de mamar até ele enjoar.

KELLY- Nem pensar meu bem. Eu dou de mamar agora, aí depois tá tudo caído, igiado, nem morta! Você pode cuidar em arrumar um emprego.

LUCAS- Nem pensar, Deus me livre! Já sei, registra o moleque no programa do leite, do governo.

KELLY- Boa, tem leite três vezes por semana.

LUCAS- Vamos por o moleque pra estudar bem cedo, aí ele fica recebendo o bolsa escola.

KELLY- É, ele já tá com a vida feita, mas e a gente?

LUCAS- Vamos nos cadastrar no Fome Zero!

KELLY- E nós, vamos morar aonde?

LUCAS- Vamos entrar pro movimento sem terra, e descolar uma casa maneira.

KELLY- (FALANDO COM A BARRIGA) Tá vendo filhinho, seu pai pensa em tudo! (PARA LUCAS) Vem, me dar um beijinho. (ELE Á BEIJA NA TESTA) Mais o que é isso Lucas, beijo na testa?

LUCAS- Não tem clima Kelly.

KELLY- Não tem clima? Eu parei de estudar, fui expulsa de casa, deixei de sair com minhas amigas. Tudo isso pra quê? Antes de noivarmos você era todo apaixonado agora...

LUCAS- Não começa Kelly!

KELLY- Já sei, você tá saindo com outra. Não é?

LUCAS- Chega!

KELLY- Quem é a sem futuro? Se você tá pensando em me fazer de corna, pode tirar o cavalinho da chuva. Você vai casar comigo, e tem que ser fiel.

LUCAS- Ai, que saco!

KELLY- (FALANDO COM A BARRIGA) Tá vendo filhinho, que vida triste vai ser a sua, seu pai é um homem sem coração, desalmado. E sua mãe, vai morrer antes de você nascer. Nunca esqueça de sua mãe, ela foi uma mulher forte.

LUCAS- Kelly pára com isso! O moleque vai nascer com depressão.

KELLY – Minha hora chegou a morte me chama!

LUCAS- Pra onde você vai sua louca?

KELLY- (BRAVA) Vou me suicidar na privada! (FALA PARA A BARRIGA) Ouviu filhinho? E o culpado será seu pai.

LUCAS - Espera! (TOCA A CAMPANHIA) Já vai, já vai!

CARLINHOS- (ENTRANDO) A Rebeca está?

LUCAS - Está no quarto, vou chama-la. (SAI PARA OS QUARTOS).

CARLINHOS- (SENTA-SE NO SOFÁ, ELE TRAZ UM LIVRO NA MÃO). Vou ler um pouco, (LENDO) Romeu, Romeu! Ah! Por que és tu Romeu? Renega o pai, despoja-te do nome; ou então, se não queres jura ao menos que amor me tens, porque uma capuleto deixarei de ser logo. (ENQUANTO ELE LER, VINDO DOS QUARTOS ENTRA REBECA VESTIDA DE BEIBIDOU).

CARLINHOS- (SUSPIRA) Ai Romeu e Julieta, eu e a Rebeca, a lua e as estrelas, ai o amor é lindo!

REBECA- (SURPREENDENDO-O) Linda sou eu Carlinhos! Ai amor eu estou tão afim. (ABRAÇA-O).

CARLINHOS- (NERVOSO) O que é isso Rebeca! Sua mãe, seus irmãos, podem entrar, tá maluca?

REBECA- Maluca por você amor! (NOVA INVESTIDA).

CARLINHOS- (OFENDIDO) para com isso Rebeca! Isso não é nada romântico.

REBECA- (CHATEADA) Ah não Carlinhos, assim não dá. A gente já namora um tempão...

CARLINHOS- (CORTANDO) um mês

REBECA- (IGNORANDO-O) e até agora nada.

CARLINHOS- Rebeca, temos que viver cada etapa das regrinhas do amor. Nos dois primeiros meses só selinho, no terceiro beijo de língua, no quarto abraço apertado, no quinto uns amasso, no sexto noivado, e no oitavo...

REBECA- (ANIMA-SE) O que amor?

CARLINHOS- (SUSPIRA) O casamento.

REBECA- (DECEPCIONADA) E o resto?

CARLINHOS- Eu já falei só depois do casamento. Eu quero casar virgem!

REBECA- (CHATEADA) Carlinhos, você tá de sacanagem comigo!

CARLINHOS- Vamos imaginar: você toda de branco...

REBECA- (ANIMA-SE) Beibidou branco amor, safadinho heim!

CARLINHOS- Eu estava falando do vestido de noiva, super hiper mega branco, uma grinalda de cinco quilômetros, quinze damas de honrra...

REBECA- (CORTANDO-O) Não sei pra que tanta honra!

CARLINHOS- (CONTINUANDO) E nós dois, puros virgens imaculados!

REBECA- Que horror! Vem cá, você é de que geração?

CARLINHOS- Da geração do amor e do respeito.

REBECA- Agora imagina você Carlinhos! Eu vestida de Eva, você de Adão. Nós dois no jardim do Edem...

CARLINHOS- (IMAGINANDO) Você de Eva e eu de Adão... Mas espera aí, esses dois não usavam roupas.

REBECA- Aí é que tá a emoção, aquele vento nos tocando. Eu e você, você e eu... naquela loucura, ai! Vamos seguir o exemplo deles amor e comer-mos do fruto proibido.

CARLINHOS- Você esqueceu, que depois de comerem esse fruto, eles foram expulsos do paraíso? (APROXIMA-SE) Rebeca, não pode ser assim, tem que ser uma noite mágica!

REBECA- (IRRITADA) Ai amor, eu sou uma mulher moderna, você tem que me entender. Pô!

CARLINHOS- Se você me ama, vai saber me esperar! Depois a gente se fala. (SAI PARA A RUA).

REBECA- Droga! ( DÁ A VOLTA POR TRÁS DO SOFÁ E SE ABAIXA)

CARLINHOS- (LENDO) Ai em teus olhos, há maior perigo do que em vinte punhais de teus parentes. Olha-me com doçura, e é quanto basta para deixar-me a prova do ódio deles. (SUSPIRA) Ai o amor é lindo!

REBECA- ( LEVANTA-SE CANTAROLANDO) Lálá, lálá, lálá, oi Carlinhos! (AVANÇANDO).

CARLINHOS- (ESPANTADO) O que é isso Rebeca?

REBECA- Ora amor, você não disse que nossa primeira vez teria que ser mágica, então, eu pensei... deve ser uma fantasia daquele safadinho. Aí me vesti de fadinha, só pra você! (NOVA INVESTIDA).

CARLINHOS- (ESQUIVANDO-SE) Rebeca, eu não quis dizer isso, você entendeu tudo errado.

REBECA- Amor não importa, vamos brincar de fada madrinha. Vai, eu vou realizar três desejos seus, os mais íntimos.

CARLINHOS- Primeiro, eu quero que você nunca deixe de me amar. Segundo, que me respeite... e terceiro..., que crie juízo!

REBECA- Ai amor que coisa melosa! Eu pensei que você fosse pedir umas safadezas, umas sacanagens!

CARLINHOS- Rebeca, acredite no amor, o amor é lindo.

REBECA- Amor, amor. Você vive lendo esse livreco, mas eu bem que sei, que os finados Romeu e Julieta gostavam de umas sacanagens.

CARLINHOS- O quê?

REBECA- Pois é, os dois viviam marcando esquema ás escuras, namorando escondidos, e o finado doidão, era doidão, pra dar uns pega na finada Julieta, e ela toda sonsa, se fazendo de difícil. Bicha siníca, até casar com ele escondida casou, só pra apressar a lua de mel.

CARLINHOS- Você está cometendo um crime contra um dos maiores clássicos do teatro. Está vulgarizando a obra de Shakespeare!

REBECA- Acredite se quiser, o finado Romeu era tarado na Julieta. Ah, vamos deixar os finados descansar em paz, e curtir nosso love. (DÁ UM SELINHO).

CARLINHOS- Você é meia desmiolada, mas eu gosto de você. Agora eu tenho que ir.

REBECA- (IRRITADA) Não amor o clima estava começando a esquentar!

CARLINHOS - Eu vou para a minha aula de ioga, depois a gente se fala. Tchau! (SAI PARA A RUA).

REBECA – Ai que homem gostoso! Mais ele é tão difícil... bem mais ele não pede por esperar! (SAI PARA OS QUARTOS)

(TOCA A CAMPANHIA)

BIA- Já vai, já vai. (ABRINDO A PORTA).

ANINHA- (ENTRANDO) A tia dona Estela mora aqui?

BIA- Mora, você deve ser...

ANINHA- (ABRAÇANDO-A) Aninha adesponha!

BIA- Pode entrar eu vou chama-la. (SAI PARA OS QUARTOS).

ANINHA- (ADMIRADA) Ai eu cheguei! Num tô creditando. (TRAZ UMA MALA) Eu cheguei nas cidade. Ai, tô muncionada, eu passei ali nas estradas, tinha montão de carro, montão assim ó. (FAZ GESTOS COM AS MÃOS) Tudo andando nas filinhas, a coisa mai linda! Tudo culorido! Mai eu morro de medo de andar naqueles carrão, prifiro andar de carroça. (A PORTA FICA ABERTA, ENTRA MIGUEL) Minha nossa senhora dos príncipe encantado, mai que home lindo! Ai, eu acho que eu ei de ser muito da feliz aqui.

MIGUEL- (USA ÓCULOS ESCUROS). Oi!

ANINHA- (TÍMIDA) Oi!

MIGUEL- Eu vim falar com o Zeca. Prazer meu nome é Miguel, você quem é?

ANINHA- Sou prima do Zeca, Aninha adesponha! (ELE BEIJA A MÃO DELA).

MIGUEL- Você se machucou?
ANINHA- Vê, mai pro mode de que eu ia de se machucar?

MIGUEL- Quando caiu do céu, você é um anjo!

ANINHA- Ai Jesus! Ai fiquei toda muncionada, toda rupiada óia. (MOSTRA OS BRAÇOS) Ui! O senhor num fala essas coisas moço, eu sou moça de famia.

(ENTRA BIA E DONA ESTELA)

DONA ESTELA- Aninha minha sobrinha querida! (ABRAÇA-A).

ANINHA- Tia, quanto tempo! Que sardade!

DONA ESTELA- (GRITA) Filhos, filhinhos venham receber a prima de vocês! (ENTRAM LUCAS, ZECA, MANU, REBECA E KELLY).

MANU- Priminha, você chegou! Ai eu tô roxa, roxa (ABRAÇA-A).

ANINHA- Quanto tempo Manu!

LUCAS- E aí Aninha, Beleza!

ANINHA- (ANINHA SEM ENTENDER) Brigada!

KELLY- Oi! Eu sou Kelly, futura mulher do Lucas. Obrigada por ter vindo nos ajudar com o casamento, são tantas coisas.

ANINHA- Aninha adesponha!

REBECA- Oi Aninha! Menina quanto tempo! Como você mudou!
ZECA- Oi a-a-a-ni-ni-nha!

ANINHA- Zeca ocê, ainda é gago!

DONA ESTELA- Aninha, essa é Bia, a filha da empregada, e aquele é Miguel, amigo do Zeca.
BIA- Tudo em cima!

MANU- Agora vem Aninha, vamos guardar essa mala.

REBECA- Ai temos tanto o que fazer.

DONA ESTELA- Por aqui querida! (SAEM DONA ESTELA, ANINHA, REBECA E MANU PARA OS QUARTOS).

KELLY - Bia você me prepara um lanche?

LUCAS - Epa, lanchinho eu também quero.

BIA- Claro, eu já tô prontinha! (SAEM PARA A COZINHA).

MIGUEL- E aí Zeca, cara vamos lá no Bar da Creuza?

ZECA- Da que-quelas garo-ro-tas eu tô tô fora!

MIGUEL- Você vai acabar morrendo virgem.

ZECA- Ho-ho-hoje eu vou me-me de-declarar pra bi-bi-Bia eu escrevi uma car-carta, e-ela va-vai ado-dorar.

MIGUEL- Você ainda tá afim da filhinha da empregada?

ZECA- (ELE RETIRA A CARTA DO BOLSO E MOSTRA A MIGUEL) Cla-cla-cla-ro que sim, Olha a car-carta.

MIGUEL- (PEGANDO A CARTA) Meu doce amor... cara, eu acabo de ter uma idéia?

ZECA- Q-que idéia?

MIGUEL- A tua prima é muito gata, meu amigo, eu preciso dessa carta, pra mandar pra ela.

ZECA- Ma-ma-mais a bi-Bia?

MIGUEL- Cara quebra esse galho, que depois eu te ajudo.

ZECA- Ju-ju-ra! O-olha lá a an-an-ninha é min-min-nha prima.

MIGUEL- Deixa comigo. Caiu na rede é peixe. Agora eu vou lá no bar da Creuza. (SAI PARA RUA, CARLINHOS VEM ENTRANDO).

ANINHA- (ENTRANDO DOS QUARTOS) Ai, tô dorando essa casa!

ZECA- Q-que bom, o-o-lha é pra vo-vo-vo-cê. (ENTREGANDO A CARTA).

ANINHA- Uma carta pra eu? Ai minha nossa senhora dos príncipe encantado! Mai quem mandou?

ZECA- Fo-foi o Mi-mi-miguel. Vo-você conhe-nhe-nheceu ele quando che-chegou. (SAI PARA OS QUARTOS).

ANINHA- Ai Jesus! Mia primera carta de amor! (ABRE A CARTA E LER) Meu doce amor. (Á PARTE) Ai, eu sou doce! Desde da primeira vez que ti vi, não consigo te esquecer. Queria dizer te amo, mas a timidez não deixa. (Á PARTE) Ai que lindo! Um abraço e um beijo! Mai ai Jesus, ele ama eu, ai que moção. Mai quando eu ver ele, vou me fazer de difici.

MANU- (ENTRANDO DA RUA) Oi priminha, que cara é essa?

ANINHA- É o amor prima. Eu tô toda apaixonada.

MANU- Mais já Aninha? Menina fiquei roxa, roxa.

ANINHA- Foi amor as primeira vista, ele tá todo apaixonado por eu. O nome dele é Miguel.

MANU- O Miguel? (Á PARTE) Tá ferrada.

ANINHA- Tô mermo ferrada de amor. Ele até mandou carta pra eu.

MANU- Deixa eu ver. Ai eu fico roxa, roxa. É, parece que o caso é sério. (OLHA PRA ANINHA) Você só tem que mudar um pouquinho.

ANINHA- Mudar, mai mode que?

MANU- Aqui na cidade as coisas são diferentes, Você tem que ficar na moda.

ANINHA- (CONFUSA) Nas modas?

MANU- É uma roupas mais sensuais, mais provocantes, um batonzinho... (O CELULAR TOCA, ELA ATENDE) Ai não, não acredito, é o Beto tarado. Ele adora beijar meu suvaco, eu tenho cócegas. Alô! Oi Betão, passar aí? Não sei... (ANIMA-SE) você comprou um presentinho pra mim? Tá, eu vou, mas só se você prometer não beijar meu suvaco. Porque eu não gosto. Ai que saco! Betão eu não depilei, é pois é. Tchau!

ANINHA- (ESTRANHANDO) A prima deixa ele tirar os cabimento com ocê?

MANU- Aninha hoje em dia tudo pode, tá tudo liberado. Ai, eu fico roxa, roxa.

ANINHA- Liberado? Mai nunca que eu ei de deixar home nenhum beijar o suvaco de eu.

BIA- (ENTRA BIA DA COZINHA VARRENDO) Aí Manu, você nem me contou como foi a balada, menina.

MANU- Ai, eu fiquei roxa, roxa, curtir todas tô até cansada.

BIA- Cansada de quê?

MANU- Porque a noite de ontem foi muito romântica pra mim sabe...

BIA- Jura?

MANU- (SUSPIRA) Juro, eu beijei o Felipe, beijei o Mateus, o Alex, o Dani, o Beto e fiquei com Gustavo, com o Ricardão, com o Robinho aloprado e com o Ronaldo.

BIA- (SE ABANA) Menina, que loucura, você devia arrumar um pra mim. Eu já tô prontinha.

Manu- AI, EU FIQUEI ROXA ROXA AGORA EU TENHO QUE IR TCHAUZINHO. (SAI PARA A RUA).

BIA- (VINDO DOS QUARTOS) E aí Aninha tá gostando?

ANINHA- Muito por demais. Nesse cadim de tempo eu já achei até um príncipe.

BIA- Sério? Ai eu já tô prontinha. Eu até tenho um namorado, mas não é nada sério ainda. (PAUSA. PARA ANINHA) Quem é ele?

ANINHA- Mai eu tô nervosa, eu nunca beijei.

BIA- O quê? Menina tu já devia tá prontinha.

ANINHA- Será que beijar dói?

BIA- Menina, eu tinha de medo de morrer sem beijar na boca, beijar é bom demais!

ANINHA- Ocê já beijou? Tão novinha.

BIA- Novinha nada. Eu já tenho quatorze anos e meio, já tenho peito e bunda. Já tô prontinha.

ANINHA- Mai ocê num gosta mais de pular corda, brincar de boneca, de...

BIA- (CORTANDO-A) Isso nem existe mais menina, as crianças hoje já nascem pedindo batom, maquiagem e salto alto.

ANINHA- (ASSUSTADA) Ai Jesus! Só pode ser os fim do mundo. Mas ocê num queira butar as carroças nas frente dos boi que num da certo. Eu vou cuidar no enxoval do primo. (SAI PARA OS QUARTOS).

BIA- Muito criança, muito criança, ora essa! Tem menina com dezoito anos que já é avó. (PENSANDO) Será que tá certo o que eu estou fazendo, saindo com homem casado? Ah, mas também, o Lucas ainda não é casado, é noivo. E que não tem cão caça com gato.

LUCAS- (VINDO DOS QUARTOS) E aí gatinha? (ABRAÇANDO-A).

BIA- (AFASTA-SE) E aí digo eu.

LUCAS- (VINDO DOS QUARTOS) O minha gostosa?

BIA- Para Lucas, eu já falei que aqui na sua casa não.

LUCAS- O que foi?

BIA- Eu sei que a Kelly vai ter um filho seu, mas não precisa casar com ela. Eu não quero ser mais a outra. Eu já tô prontinha pra ficar com você.

LUCAS- Qual é Bia?

BIA- Qual é você, tá pensando que eu sou tonta?

LUCAS – Biazinha não fala assim que maltrata.

BIA- Eu só me envolvi com você, porque não achei nada melhor. Eu morria de medo, de morrer sem beijar na boca. Você não terminou com a Kelly ainda.

LUCAS- Tudo bem, eu vou pensar!

BIA- Vai pensar coisa nenhuma! Eu me entreguei pra você, porque você disse que terminar com a Kelly e ficar comigo! Eu confiei em você Lucas. Se você não desistir desse casamento, eu abro o jogo, e conto que ela tá triste de ser chifrada.

LUCAS- Calma, tudo vai se resolver.

BIA- Calma nada Lucas! Você me pediu uma prova de amor e eu dei. Agora é você que tem que provar o seu. (SAI PARA A COZINHA).

LUCAS- Me da um beijinho vem. (VÃO SE BEIJAR, DONA ESTELA ENTRA, ELES SE ASSUSTAM).

DONA ESTELA- (ENTRA DOS QUARTOS COM UM CARTAZ ONDE SE LÊ: ABAIXO A SACANAGEM VIVA O AMOR). Abaixo a sacanagem, viva o amor! Viva o amor, abaixo a sacanagem! O homem de hoje se coisificou na busca do prazer pelo prazer. Sem amor, sem sentimento, só pode ser coisa do demônio! Isso está acabando com a nossa sociedade. Por isso a partir de hoje, dou início a campanha : abaixo a sacanagem viva o amor!
LUCAS- Que papo é esse?

DONA ESTELA- Filho, eu e as irmãs da paz, lançamos esta campanha, e pretendemos alcançar até os confins da terra. Sairemos de porta em porta, de rua em rua, de escola em escola. Vamos resgatar a moral e o bom costume. Que bom seria que todos fossem responsável como você, honesto, fiel a mulher que ama, eu tenho muito orgulho de você!. Bia minha filham, você não quer me ajudar na campanha? Eu estava pensado você de madre, andando pelas ruas...

BIA- (DISFARÇANDO) O que é isso dona Estela, pirou? Que papo é esse?

DONA ESTELA- Bia, isso é uma obra de fé. Você não vê que nos dias de hoje os abortos, as dst’s, gravidezes na adolescência, e a severgonhice estão invadindo a sociedade.

LUCAS- Mas a camisinha está aí, sem falar que televisão, rádio, escolas, hospitais nos alertam o tempo todo.

DONA ESTELA- Sei, o tal sexo seguro, mas ainda assim as relações com um único parceiro, e a castidade são os melhores meios de prevenção.

LUCAS- Castidade, único parceiro, mãe acorda nós estamos no século XXI.

DONA ESTELA- Por isso a sacanagem pode rolar solta? Não filho, quem tem que acordar é você. Essa realidade só vai mudar se começar por cada um de nós.

BIA- Epa, o papo está ficando sinistro. Eu vou lavar minha louça (SAI).

DONA ESTELA- Essa menina não está bem, você percebeu meu filho? Só pode ser o demônio. Essa menina tem encosto, eu vou falar com ela (SAÍ PARA A COZINHA).

LUCAS- Não viaja mãe (SAI PARA COZINHA).

CARLINHOS- Aporta aberta? Estranho. (GRITA) Rebeca, Rebeca! (DE REPENTE VINDO DA RUA, ENTRA UM LADRÃO CORRENDO E COM UMA ARMA).

LADRÃO- Se liga aí meu irmão, mãos pra cima!

CARLINHOS- Calma aí cara, eu não moro aqui. E aqui é uma casa de família.

LADRÃO- Que calma o que rapa? Se liga!

CARLINHOS- Olha leva tudo, os móveis, as panelas, os eletrodomésticos. Mais não me mata por favor, eu sou muito novo para morrer, tenho apenas dezessete anos. Minha mãe disse que me matava se eu morresse antes dela.

LADRÃO- Que matar o que rapa? Quem tá falando em matar? E eu também não quero levar nada.

CARLINHOS- Não? O que você quer então?

LADRÃO- Eu vi você entrando, e vim bater um papo com você.

CARLINHOS- Ladrão estranho. O que você quer comigo?

LADRÃO- Olha cuida de sua namorada, por que se não...

CARLINHOS- (CORTANDO) Se não o que? O que é que tem a Rebeca?

LADRÃO- Você tem que dar uns trato nela, pegar ela de jeito, entendeu?

CARLINHOS Nós vamos casar virgens, puros, imaculados.

LADRÃO- Se ajoelha meu irmão e repete comigo: a Rebeca é uma gostosa! (APONTANDO A ARMA).

CARLINHOS- (DE JOELHOS) A Rebeca é uma gostosa!

LADRÃO- Eu fico doidão com ela!

CARLINHOS- Eu fico doidão com ela!

LADRÃO- Eu vou dar uns pega nela! Vou pegar ela de jeito!

CARLINHOS- Isso eu não repito! Tá maluco? E as regrinhas do amor?

LADRÃO- Quer morrer meu irmão? (APONTANDO A ARMA)

CARLINHOS- Não, quero não.

LADRÃO- Então repete!

CARLINHOS- (SOFRENDO) Eu vou dar uns pega nela! Vou pegar ela de jeito!

LADRÃO- Agora promete! Eu prometo...

CARLINHOS- Eu prometo...

LADRÃO- Que vou levar a Rebeca pra cama!

CARLINHOS- Como é que é? Vá me desculpar seu ladrão , mas isso vai contra todas as regrinhas do amor.

LADRÃO- Quer morrer? Vamos logo mané! (APONTANDO A ARMA).

CARLINHOS- (QUASE MORRENDO) Eu prometo pra nossa senhora, que vou levar a Rebeca pra cama!

LADRÃO- Agora se manda!

CARLINHOS- (LEVANTANDO-SE) Não faça mau a ninguém, por favor! (SAI CORRENDO).

REBECA- (TIRANDO O CAPUZ) Ufa! Como foi difícil fazer um ladrão! Ai, eu acho que dessa vez vai dar certo. O Carlinhos sempre foi muito religioso. Ele vai ter que cumprir a promessa. Ai, agora eu vou preparar a próxima parte do plano. (VAI SAINDO)

ZECA – Que ro-ro-roupa é é essa?

REBECA – Não enche irmãozinho.

ZECA – Se se amos-amos-tre viu!

(TOCA A CAMPANHIA, ZECA ATENDE)

MIGUEL- (ENTRANDO) E aí Zeca, a carta deu certo?

ZECA- A-a-até de-demais!

MIGUEL- É meu amigo, caiu na rede é peixe.

ZECA- Você di-di-disse que ia me a-a-ajudar com a bi-bi-Bia.

MIGUEL- Tudo bem! Primeira coisa: Mulher não gosta de homem certinho meu, você tem que mudar..

ZECA- Mu-mu-mudar?

MIGUEL- É tira esses óculos. Estufa o peito, e age como macho!

ZECA- Ma-ma-mais eu já sou ma-ma-macho.

MIGUEL- (ZOMBANDO) Macho de verdade cara!

ZECA- (SEM ENTENDER) De ver-ver-verdade?

MIGUEL- É que, tal você pegar umas garotas você tem que provar que é homem cara!

ZECA- (CONFUSO) Pro-pro-provar?

MIGUEL- Claro meu, olha pra mim. Eu sou demais, eu sei o que eu estou dizendo. As minas se amarram em mim!

ZECA- Co-co-como a-a-assim?

MIGUEL- E você também tem que ser bem abusado!

ZECA- (IMITANDO) A-bu-bu-sa-sado!

MIGUEL- É, e tem que falar grosso.

ZECA- (AINDA IMITANDO-O) Fa-fa-falar grosso!

MIGUEL- E tem que ser malandro!

ZECA- Malandro!

MIGUEL- Tem que coçar o saco, cuspir, arrotar!

ZECA- Ma-ma-machão!

MIGUEL- É isso aí meu, você aprende rápido. Agora vamos para a prática, vamos lá no bar da Creuza.

ZECA- Va-va-vamos ne-ne-nessa!

MIGUEL- Antes, é melhor você tirar essa roupinha de mané, e vestir uma roupa de macho!

ZECA- Tá le-le-legal! Vo-vou ves-vestir uma ro-ro-roupa de ma-macho. (VAI SAINDO PARA OS QUARTOS E PASSA POR ANINHA).

ANINHA- Oi primo! (VER MIGUEL SEM QUE ELE PERCEBA) Príncipe! Ai, cadê a Manu? Ela disse que eu devia de dar umas mudada, mai eu num sei como. (COM UM BATOM) Eu peguei uns batom dela. Eu ei de ficar muito das gatona. Mai eu num truxe nem espei, mai vai assim mermo. (PASSA O BATOM APRESSADA E SE BORRA TODA) Ai será que ficou bom?

MIGUEL- (VINDO DA COZINHA) Oi gata!

ANINHA- Ai Jesus! Oi, ocê num gustou dos meu batom?

MIGUEL- Que boca linda você tem!

ANINHA- Eu gostei de mais da carta.

MIGUEL- (APROXIMANDO-SE ) Foi? Então porque você não me da um beijão daqueles.

ANINHA- (ASSUSTADA) Não! Mai num pode, minha mãe me ensinou a eu que tem que segui as regrinhas do amor. E eu num posso beijar assim de vez, tem que ter dois mês de selinho.

MIGUEL- O quê? Pensei que você fosse uma garota moderninha.

ANINHA- Mai eu sou toda das mordenas.

MIGUEL- Então me beija.
ANINHA- (ENVERGONHADA) Mai eu num sei beijar.

MIGUEL- Eu te ensino. Olha você fecha os olhos, (ELA SEGUE AS INSTRUÇÕES) faz biquinho. (ELE VAI BEIJA-LA, MAS ELA RIR) O que foi?

ANINHA- É que eu sou toda cheia das vergonhas.

MIGUEL- Vamos tentar mais uma vez. (VAI BEIJA-LA, MAS ELA RIR NOVAMENTE) O que foi agora?

ANINHA- É que eu fico toda da nervosa.

MIGUEL- Relaxa!

ANINHA- Mirguel, príncipe umas pergunta: O que eu faço com a cabeça?

MIGUEL- Como assim?

ANINHA- É que eu vejo nas novela, as moça joga as cabeça pos lado e pos outro.

MIGUEL- (IMPACIENTE) Você balança a cabeça pro lado que quiser, na hora que quiser!

ANINHA- (NERVOSA) Então tá bom. Ai minha nossa senhora dos príncipe encantado, ajuda eu. (ELA FAZ BICO E FECHA OS OLHOS, ELE A BEIJA. ELA TODA DESAJEITADA NÃO PARA DE BALANÇAR A CABEÇA).

MIGUEL- Gostou?

ANINHA- Faz cosquinha nas boca.

MIGUEL- Assim é bem melhor! (AGARRA E ROUBA UM GRANDE BEIJO, ELA ESPERNEIA).

ZECA- (VINDO DOS QUARTOS) Mi-mi-guel?

(MIGUEL SOLTA ANINHA QUE FICA EM ESTADO DE CHOQUE)

ZECA- E a ro-ro-roupa fi-fi-ficou maneira?

MIGUEL- É até que ficou legal. Agora vamos lá no bar da Creuza.

ZECA- De-de-de-morou! (SAEM PARA A RUA, ENTRA ANINHA E MANU VINDO DA COZINHA).

MANU - E ai, Aninha tudo bem?

ANINHA - Eu, beijei prima eu beijei. Ai eu fiquei tão nervosa, que eu quase, fazia xixi nas saia.

MANU- A prima, você tem que se acostumar. Por aqui, as coisas são assim mesmo. Você gostou do beijo do Miguel?

ANINHA- Ele primeiro ia me ensinar beijar, eu fechi os zoi, fiz biquim, balancei as cabeça e tudo, adespois ele me deu um pegão, arrochou eu e quase arrancava minha língua.

MANU- Ai eu fico roxa, roxa. Mas agora você tem que se preocupar com o seu visual.

ANINHA- Mai ocê acha mermo que eu tenho que mudar?

MANU - Claro. Você tem que ser mais ousada... Mais pode deixar comigo que eu dou um jeito em você. Agora vamos menina, você vai ficar um arraso. (SAEM PARA OS QUARTOS.

KELLY- Pára de me seguir Pedro Lucas Jorge Afonso e Silva. Não sei por que você não deixou eu fazer a viagem.

LUCAS- Só se eu fosse maluco, de deixar você se matar com essa criança na barriga.

KELLY- (INDIGNADA) Então quer dizer que se eu não estivesse grávida, você teria deixado eu fazer a viagem numa boa.

LUCAS- Claro! você seria muito mais feliz lá no andar de cima. Eu só teria pena de São Pedro.

KELLY- Agora não tem quem me segure. Eu acho que vou até organizar uma despedida de solteira bem fatal.

LUCAS- Nem pensar, mulher minha tem que andar na linha. Eu que terei uma despedida de solteiro.

KELLY- Você pode, eu não? Tá vendo filhinho? (FALANDO COM A BARRIGA) Sua mãe tem uma vida de escrava! Não posso sair com as amigas, não posso mais ir para as farras. Sem falar que eu vou ficar semi-analfabeta, porque não posso mais estudar. Já o carrasco do seu pai, sai toda noite, e ainda filhinho tem uma praga de uma amante.

LUCAS- Não faz isso Kelly, isso é chantagem emocional com o moleque, se continuar assim ele vai nascer com paterfobia.

KELLY- E o que danado é isso?

LUCAS- Pater vem de paternidade e fobia de medo. É isso, ele vai nascer com medo do pai.

KELLY- Nossa vida era outra antes de noivarmos. Se eu soubesse que ia ser assim, eu não teria inventado nada.

LUCAS- E o que foi que você inventou?

KELLY- Eu menti, eu não estava tomando pílula, eu estava com medo de lhe perder. Achei que um filho poderia nos unir.

LUCAS- (ESPANTADO) Você provocou a gravidez? Você é uma mula! Eu tenho apenas dezoito anos e você dezessete. Não sabemos nem cuidar do nosso próprio nariz, quanto mais de uma criança! Onde você estava com a cabeça?

KELLY- Sei lá, devia ser um lugar bem podre.

LUCAS- Isso vai me trazer problemas por toda a vida, eu acho que eu vou procurar um psicólogo. (VAI SAINDO PRA RUA, ENTRA MANU VINDO DOS QUARTOS).

KELLY- Você deveria procurar um A.S.A, associação dos sem vergonhas anônimos. Não esqueça que temos que ir para o ensaio do casamento.

LUCAS- Fala sério, além de casar você ainda quer que eu ensaie.

KELLY- Insensível! (FALANDO COM A BARRIGA) está vendo filhinho, como é sofrida a vida da sua mãe. (GRITA) Bia, Bia!

BIA- (ENTRA CORRENDO DA COZINHA) Chamou Kelly?

KELLY- Chamei, chamei sim. Por favor Bia, me traga uma cachaça daquelas bem fortes, de virar a perna.

BIA- Já volto. (VAI SAINDO, E SÓ AÍ CAI EM SI) Cachaça? Mas Kelly não vai fazer mau para a criança?

KELLY- Não! Meu filho vai entender. Ele é muito compreensivo.

BIA- Kelly o que houve?

KELLY- O Lucas está me traindo com uma baranga, uma pilantrinha qualquer, você acredita?

BIA- (DISFARÇA) Lucas, como você teve coragem?
LUCAS- Ah não, duas é demais!

KELLY- Agora me diga Bia o que você faria com uma criatura dessa?

BIA- Eu? Rezava por ela, entregava ao pai.

KELLY- Não. Eu estava pensando em algo mais cruel, sabe? Tampe os ouvidos meu filho. Eu estava pensando em pegar a bicha pelo pescoço dar uns tapas na cara dela, e depois torcer, torcer, mais torcer de um jeito... (ZECA ENTRA DA RUA COM UM ENVELOPE).

BIA- Aí Zeca meu filho, ainda bem que você chegou. Toma conta desses dois que o bicho tá pegando (SAÍ PARA COZINHA).

ZECA- Es-es-espe-pera Bia..

KELLY- Eu quero saber o nome, eu vou cortar o cabelo dela de foice anda desembucha!

LUCAS- (PEGA-A PELO BRAÇO) Vê lá como fala comigo!

KELLY- Você está me machucando me solta! (EMPURRA LUCAS) Ô Bia, traz a cachaça. Desculpa filhinho, mas eu vou me esculhambar, vou virar bandida.

ZECA- Ca-ca-calma aí Ke-Kelly.

LUCAS- Tá vendo meu filho, quem é a sua mãe de verdade? Quer saber? Cansei Zeca diz pra essa debi mental dá o fora da minha casa.

ZECA- E-e-ele man-man-mandou...

KELLY- (CORTANDO) Pergunta pra ele se ele pensa que eu sou papel higiênico para ele usar e jogar fora.

ZECA- E-e-ela tá per-per-pergun-tando...

LUCAS- (CORTANDO) Diz pra ela que acabou. Não vai ter casamento!

ZECA- A-a-ca-cabou...

KELLY- (CORTANDO) Diz pra ele que eu estou decidida, vou virar bandida, e vou esquartejar a vadia que está saindo com ele e depois vou cortar os possuídos dele fora.

ZECA- (JÁ IMPACIENTE) E-e-ela...
LUCAS- Meus possuídos não! Ô Zeca...

ZECA- (NERVOSO) Che-che-che-ga! Va-va-vão se da-da-nar vo-vocês do-dois.

LUCAS- Boa idéia, vai se danar Kelly! (SAI PARA OS QUARTOS).

KELLY- Volta aqui! Pedro Lucas Jorge Afonso e Silva! (SAI TAMBÉM PARA OS QUARTOS).

MANU- (PASSANDO POR KELLY E LUCAS) Eles sempre brincam de uma maneira estranha. Ai eles são tão felizes. Aninha pode vim, priminha fica tranqüila você está perfeita!

ANINHA- (ENTRA COM UMA ROUPA DECOTADA, MUITO CURTA E DE SALTO) Ai Manu, eu tô toda desajeitada, eu num sei andar nessas coisa.

MANU- Você está linda, ai eu tô roxa, roxa. Aninha o Miguel vai adorar.

ANINHA- Mai eu pensava que os príncipe adevia de ser romântico.

MANU- Ah, aquilo foi só o começo tem muito mais além do beijo e do abraço.

ANINHA- (ASSUSTADA) Mais? Ai Jesus, minha nossa senhora dos príncipe encantado ajuda, eu.

MANU- Você está quase pronta. Roupa, maquiagem, agora solta o cabelo e joga. (ANINHA SEGUE AS INSTRUÇÕES) Isso, agora anda e rebola bem.

ANINHA- Arre, mai eu tô muito das feia.

MANU- Perfeito! Agora você é Ana tesão.

ANINHA- Cruz credo! Esses negócio de Ana dos tesão deve de ser até pecado.

MANU- Que nada priminha, como diria a Bia: você está prontinha!

ANINHA- Mai pra quê?

MANU- Pra se entregar e conhecer o paraíso.

ANINHA- Quer dizer que eu ei de morrer?

MANU- Não querida, o paraíso que eu estou falando é outro... (COCHICHA).

ANINHA- (ASSUSTADA) Ocê quer dizer...

MANU- Isso mesmo filhinha!

ANINHA- (IRRITADA) Manu, ocê me arespeita, me arrespeita que eu sou moça de famia!

MANU- Que mané respeito, você não ganha nada com isso. Aninha, menina fecho! Você tá o bicho!

ANINHA- Manu que eu num tó bem, mai eu tô mermo parecendo um bicho?

MANU- Não querida, eu quis dizer que você está linda, você já tá prontinha!

ANINHA- Jura? Será que o príncipe vai gostar? (TOCA A CAMPANHIA)

MANU- Deixa eu atender (ATENDE A PORTA). Oi Miguel! (SAI PARA OS QUARTOS).

ANINHA- Ai Jesus!

MIGUEL- (ENTRANDO) Uau! Que transformação!

ANINHA- Gostou de eu assim?

MIGUEL- Você tá muito gata!

ANINHA- Brigada!

MIGUEL- Aninha...

ANINHA- (CORTANDO-O) Aninha não. Ocê pode me chamar eu de Ana dos tesão.

MIGUEL- Gostei, Ana tesão! Gata, eu estou precisando falar com você.

ANINHA- Ai minha nossa senhora dos príncipe encantado!

MIGUEL- Olha gata, eu queria ficar com você.

ANINHA- Ficar com eu? Mai eu num tô entendendo Miguel, eu sou moça donzela.

MIGUEL- Não tem nada de mais em ficar.

ANINHA- Mai eu num sei nem o que é ficar.

MIGUEL- É o mesmo que namorar, só que sem compromisso, só uma noite.

ANINHA- Mai abraça?

MIGUEL- Claro.

ANINHA- Mai beija?

MIGUEL- Claro, se não qual a graça?

ANINHA- Mai sem compromisso? Ai Jesus deve de ser até pecado.

MIGUEL- Que nada gata (BEIJA NO ROSTO).

LUCAS- (ENTRANDO, VINDO DA RUA) Atrapalho alguma coisa?

ANINHA- Não. Pode entrar primo ocê num atrapalha nada. (SAI PARA A COZINHA).

ZECA- (ENTRANDO, VINDO DA RUA) E a-aí ga-ga-le-lera?

LUCAS- Zeca, o que aconteceu com você?

CARLINHOS- (VINDO DA RUA) Zeca o que aconteceu com você?

ZECA- A-a-a-go-gora nin-nin-ninguém ma-mais vai me zu-zuar. Eu per-perdi a vir-vir-virgindade. Eu saí com uma ga-ga-garota, e ela fe-fez o ser-ser-viço.

CARLINHOS- Ai que falta de amor, vem cá você usou camisinha não foi?

ZECA- Cla-cla-claro, q-q-que n-não... eu es-es-queci, eu es-es-tava ani-ani-madão, no embalo... mas ela estava lim-lim-pinha cer-cer-teza.

MIGUEL- Isso é besteira.

LUCAS- Eu é que sei, eu também achava isso antes da Kelly engravidar.

CARLINHOS- Sei não, acho melhor você correr e fazer um exame.

MIGUEL- E você Carlinhos, já pegou a Rebeca?

LUCAS- Vê lá como fala cara, ela é minha irmã.

CARLINHOS- Eu não peguei ninguém, a mulher não é uma coisa, um animal. Ela é alguém, é uma pessoa. E eu e a Rebeca vamos casar virgens, puros e imaculados.

MIGUEL- Sei. (PARA ZECA) E a garota lá era gostosa mesmo?

ZECA- Ô se e-e-era.

CARLINHOS- Como vocês podem avaliar uma mulher pelas aparência? Um olhar que só vê corpo bonito. E o caráter, A cabeça dela não importa?

TODOS- Não!

CARLINHOS- Bando de insensíveis. Vocês não sabem o quanto o amor é lindo!

LUCAS- (PARA ZECA E MIGUEL) Será que ele é?

MIGUEL- Bem, o papo tá muito bom mais eu vou indo. (SAI PARA RUA).

ZECA- E eu vo-vou no ban-ban-banheiro (SAI).

LUCAS- Eu, eu... eu também. (SAI PARA OS QUARTOS).

ANINHA- (ENTRA VINDO DA COZINHA) Ai, eu ainda num custumei com essas sandaias. Eu fico andando toda das bamba. (TROPEÇA, E SE APOIA EM CARLINHOS) Ai Jesus! Desculpa eu moço, é que eu sou mermo toda das desastrada.

CARLINHOS- Não, não foi nada. Mas quem é você?

ANINHA- Eu sou sobrinha da minha tia, dona Estela, Aninha adesponha.

CARLINHOS- (QUE ESTÁ SEMPRE COM O LIVRO) Prazer Aninha. Eu sou Carlinhos, namorado da Rebeca.

ANINHA- (PEGANDO O LIVRO DE CARLINHOS) Mai é um livro? Ai eu doro ler. A prossora Francisca, ensinou a eu as letrinha tudim. (LENDO) Romeu e Julieta. Ah, o amor é lindo!

CARLINHOS- Você também acha?

ANINHA- Acha o quê?

CARLINHOS- O amor lindo.

ANINHA- Mai é lindo demais da conta. (PAUSA) Mai eu gosto mermo é daquela história que a bruxa manda o moço rancar os coração das princesa, mai o moço num arranca, ele arranca mermo é o coração do porquim. Aí as princesa corre, corre e acha uma casa todas pequenininha. A coisinha mai linda. A casa é toda cheinha de anão pequenim. Ai eu fico toda muncionada.

CARLINHOS- Eu também gosto muito de branca de neve e os sete anões.

ANINHA- Ai, eu queria muito viver uma história dessas. Ser uma princesa toda bonita. Toda da encantada.

CARLINHOS- (SUSPIRA) Ai, eu também!

ANINHA- (ESTRANHA) Ocê?

CARLINHOS- Eu quis dizer que também gostaria de viver uma história de amor assim.

VOZ DE REBECA- Carlinhos amor, você está aí?

CARLINHOS- (ENVERGONHADO) É a voz da Rebeca. Estou sim amor!

REBECA- Venha aqui no meu quarto vem meu bem.

CARLINHOS- Depois amor. (PARA ANINHA) Eu não posso ir no quarto dela só depois do casamento.

ANINHA- Mai tá certo, tem que ter respeito.

CARLINHOS- Bem, mais eu não estou com pressa, eu espero aqui mesmo. (SENTA NO SOFÁ)

DONA ESTELA- A minha campanha foi um sucesso, oi Carlinhos tudo bem? Oi Aninha, então tá gostando?

ANINHA- Muito demais, eu até já achei um príncipe.

DONA ESTELA- É ainda não falamos sobre isso, mas que conversa é essa Aninha? Faz apenas vinte dias que você está aqui.

ANINHA- Foi um príncipe todo dos bonito. Só que ele tem umas manias que eu num entendi. Ele num gosta de namorar sério, ele disse que hoje em dia o povo só fica.

DONA ESTELA- (INDIGNADA) Ficar? Ele quer usar você minha filha, não deixe que tratem você como latinha de refrigerante, enquanto está na mão é ótima, mas depois que mata a sede joga fora.

ANINHA- Usar eu? Mai eu sou moça de famia.

DONA ESTELA- Os jovens inventaram isso para ficar de sacanagem. Isso só pode ser coisa do demônio.
ANINHA- Sacanagem? Ai Jesus! Mai será que ele num ama eu?

DONA ESTELA- Pois é, com essa mania do ficar, o amor está entrando em extinção. Cuidado querida! (SAI PARA A COZINHA).

ANINHA- Será? Será que o príncipe tá fazendo de eu de latinha de refrigerante?

CARLINHOS- Falou Aninha?

ANINHA- Não, não, tchau! (SAI PARA OS QUARTOS)

NOSSA SENHORA- (ENTRANDO, VINDO DOS QUARTOS) Carlinhos, Carlinhos...

CARLINHOS- (SEM VÊ-LA) Quem me chama?

NOSSA SENHORA- (VOZ SUAVE, SEU MANTO COBRE O SEU ROSTO) Carlinhos, Carlinhos...

CARLINHOS- (COM MEDO) Será que é a morte?

NOSSA SENHORA- (IRRITADA GRITA) Ora essa, Carlinhos!!!

CARLINHOS- (DANDO DE CARA COM NOSSA SENHORA) Nossa senhora, é a senhora mesmo?

NOSSA SENHORA- Em, manto, véu e alma.

CARLINHOS- A que devo a honra?

NOSSA SENHORA- Vim cobrar uma promessa, Que você me fez à alguns dias atrás.

CARLINHOS- Mais por que a senhora está com o rosto coberto?
NOSSA SENHORA- Por que? Porque... porque... é moda, mania no espaço celeste.

CARLINHOS- (DESCONFIADO) Não sabia que as santas se ligavam em modas.

NOSSA SENHORA- Bem, vamos ao que interessa, e quanto a promessa?

CARLINHOS- Mais que promessa?

NOSSA SENHORA- Você prometeu a um honesto bandido, em meu nome, que levaria a sua namorada pra cama.

CARLINHOS- Claro, eu ia me esquecendo... vem cá, mas pecar contra a castidade não é pecado?

NOSSA SENHORA- (SURPRESA) Pecado? Meu filho, é a modernidade, tá tudo liberado, aqui e lá no espaço celeste.

CARLINHOS- (DESCONFIADO) Moda, modernidade, Estranho não?

NOSSA SENHORA- Meu filho, você vai cumprir a promessa ou não?

CARLINHOS- Sabe o que é dona santa? É que eu gosto demais da Rebeca, pra resumir tudo numa simples pegada.

NOSSA SENHORA- Mais você me deu a sua palavra.

CARLINHOS- É verdade. (PENSA) Já sei! Eu prometi leva-la pra cama, e isso não significa... é isso eu á levo pra cama, e ponho ela pra dormir.

NOSSA SENHORA- (IRRITADA) Olha aqui meu filho, deixa de ser mole, e pega logo a Rebeca de jeito!

CARLINHOS- (CADA VEZ MAIS DESCONFIADO) Uma santa falando assim? (PUXA O VÉU) Rebeca?!

REBECA- (ENVERGONHADA) Oi!

CARLINHOS- Você também era o ladrão?

REBECA- Pois é, eu ando muito criativa.

CARLINHOS- O que significa isso?

REBECA- (RETIRANDO A BECA) Carlinhos, namoro sem sacanagem não é namoro. (APROXIMANDO-SE DE CARLINHOS) Vem cá vem, meu gostosão. Vem me fazer feliz.

CARLINHOS- Rebeca, (FUGINDO DELA) as regrinhas do amor, vamos casar virgens, puros, imaculados lembra?

REBECA- Vem cá, vem meu Carlão! (AGARRA-O) Ai amor agora ou vai ou racha! (COMEÇA A BEIJA-LO).
CARLINHOS- Socorro, socorro!

MANU- (ENTRA VINDO DA RUA) Gente que loucura! Ai eu fico roxa, roxa.

CARLINHOS- (CONSEGUINDO SE SOLTAR) Ai Manu que bom que você chegou, acalma ai a Rebeca que eu vou tomar um copo de água acalma ai a Rebeca que eu vou tomar um copo de mento ). (SAI PARA A RUA).

REBECA- Manu minha irmã querida, você é a minha salvação.

MANU- Eu, por quê?

REBECA- É o Carlinhos, eu estou achando que ele é MENINA!

MANU- Ai eu tô roxa, roxa. E agora?

REBECA- Eu queria que você tenta-se seduzi-lo pra valer.

MANU- Seduzir o Carlinhos?

REBECA- Isso, é caso de vida ou morte.

MANU- Ai eu tô roxa, roxa.

REBECA- Temos que combinar tudo. (VER O ENVELOPE QUE MANU TRAZ CONSIGO) Que envelope é esse? São exames. Você está doente Manu?

MANU- (NERVOSA) Não... é que eu estava sentindo uns enjôos, umas tonturas, aí decidi fazer esse teste de gravidez.

REBECA- E aí?

MANU- E aí que deu positivo, eu estou gravida, e agora eu não sei o que fazer. Eu sei que tá na moda ficar grávida na adolescência, mas... depois eu penso nisso.
REBECA- Manu, se a mãe descobre isso ela te mata.

MANU- Nem me fala, eu fico roxa, roxa. (ESCULTAM RUIDOS)

REBECA - É o Carlinhos, ele deve está voltando, boa sorte. (SAI PARA OS QUARTOS, ENTRA CARLINHOS).

MANU - Oi Carlinhos, tudo bem?

CARLINHOS- (ENTRANDO) Mais ou menos, sabe a Rebeca não quer aceitar minha decisão de casar virgem. Você acha isso certo?

MANU- (JÁ AVANÇANDO) Ah! Carlinhos essa coisa de virgindade caiu de moda, e casar então, não tem mais nada a ver (TENTA BEIJA-LO, ELE RECUA).

CARLINHOS- Que mané moda, amor e virgindade não precisam de moda. É uma questão de atitude!

MANU- (TENTA SEDUZI-LO) Olha pra mim Carlinhos, fala o que você sente?

CARLINHOS- (APROXIMANDO-SE DELA) O que eu sinto?

MANU- É.

CARLINHOS- Sinceramente... Pena!

MANU- (DECEPCIONADA) Pena? Ai, eu fiquei roxa, roxa.

CARLINHOS- É porque você é tão oferecida, tão vulgar, que ninguém nunca vai querer namorar com você sério. Você nunca saberá o quanto o amor é lindo. Depois eu falo com a Rebeca.

REBECA- (ENTRA VINDO DOS QUARTOS) E aí Manu?

MANU- Só porque eu sou moderna, gosto de relacionamento doril, tomou, beijou a dor sumiu! Beijinho gostoso, amassadinha rápida, sem compromisso, só pra curtir. Só por isso ele quase acabou comigo, só não me chamou de santa. E olha que eu dei o maior mole pra ele. Ai chega eu fiquei roxa, roxa.

REBECA- Então você acha...

MANU- Eu não acho nada querida, eu tenho certeza. É um menininha, agora tenho que ir vou resolver um probleminha (SAI PARA A RUA).

REBECA- Será que ele é?

MIGUEL- (ENTRA VINDO DA RUA) E aí Rebeca, tudo em cima!

REBECA- (TRISTE) Tirando o fato que eu descobri que meu namorado é menina, tudo ótimo.

MIGUEL- Eu sempre desconfiei do Carlinhos. Nós nunca mais saímos juntos.

REBECA- Ah Miguelzinho, eu estava ocupada com o idiota do Carlinhos.

MIGUEL- Idiota? Você não amava ele?

REBECA- Claro que não. Eu só tinha atração por ele, de quem eu sempre gostei mesmo foi de você.

MIGUEL- Pensei que tivesse me esquecido. (ABRAÇA-A) Caiu na rede é peixe.

REBECA- Eu vou me arrumar pra gente sair (SAI PARA OS QUARTOS).

ZECA- (VINDO DOS QUARTOS COM ENVELOPE) Tô fe-fe-rrado ca-cara.

MIGUEL- O que aconteceu?

ZECA- (DESESPERADO) Eu fi-fiz o tes-tes-te do hiv.

MIGUEL- E aí?

ZECA- De-deu po-po-si-si-tivo. Eu es-es-tou com aids.

MIGUEL- Aids? Meu isso é o que da esquecer a camisinha, e agora?ZECA- Tô las-las-cado me-meu! É só es-es-perar a mo-morte che-che-gar (SAI PARA A COZINHA).

Miguel- Espera Zeca!

ANINHA- (VINDO DOS QUARTOS) Príncipe!

MIGUEL- Oi Aninha! Digo, Ana Tesão.

ANINHA- Mim rumei toda pra esperar ocê.

MIGUEL- Você tá muito gata!

ANINHA- Ai brigada! Eu fico toda muncionada, é que eu nunca pensei na vida de encontrar um príncipe.

MIGUEL- (APROXIMANDO-SE) É, mais encontrou. Eu sou mesmo demais.

ANINHA- (RECUANDO) Mai ocê ama eu de verdade?

MIGUEL- Claro, que amo gatinha. E você me ama?

ANINHA- Amo muito demais eu fiquei toas das modernas pra você, virei Ana dos tesão, até deixei ocê beijar eu. Ocê que nunca mais escreveu carta nenhuma pra minha pessoa!

MIGUEL- É que faltou inspiração. Mas, eu queria uma prova do seu amor.

ANINHA- Prova? Mai amor num se prova, se sente!

MIGUEL- (APROXIMANDO-SE) Vem me dar um beijinho vem.

ANINHA- (RECUANDO) Príncipe ocê me arreispeita, me arreispeita que eu sou moça de famia.

MIGUEL- Você vai me dizer um não?

ANINHA- Mai vô. Que amo você, mai amo muito mais a minha pessoa. E ocê quer usar eu, e quem usa não ama.

MIGUEL- Mais claro que amo.

ANINHA- Ocê pára! Pára porque se não eu grito!

MIGUEL-(CADA VEZ MAIS PRÓXIMO) Deixa de papo, e vem logo me dar um beijo (AGARRA-A).

ANINHA- Mim soita, socorro! Socorro!

MIGUEL- Caiu na rede é peixe. (PEGA-A NOS BRAÇOS, VAI SAINDO PARA RUA, CARLINHOS ENTRA LENDO).

ANINHA- Socorro Carlinhos, ajuda eu.

CARLINHOS- O que é isso Miguel? (SOLTA O LIVRO).

MIGUEL- Sai da minha frente mané!

CARLINHOS- Solta ela, solta ela agora!

MIGUEL- Por quê?

CARLINHOS- Porque eu estou mandando. Tá surdo?

MIGUEL- Resolveu virar macho de repente?

CARLINHOS- Não se compara um homem pela sacanagem e sim pelo caráter. Solta ela!

MIGUEL- Tudo bem! (SOLTA ELA, QUE CAI NO CHÃO).

ANINHA- Aí!

MIGUEL- E aí meu irmão vai encarar?

CARLINHOS- (ENFRENTANDO-O) Eu que pergunto, vai encarar mané?

MIGUEL- (EMPURRANDO-O) Tá maluco?

CARLINHOS- (SOQUEANDO ELE) Esse é pela Aninha! E esse é por mim mesmo!

ANINHA- Ai, Jesus!

CARLINHOS- (PARA ANINHA) Tudo bem com você?

ANINHA- Tudo. Ai, ocê é o meu herói! (ENTRAM TODOS EXCERTO MANU QUE ESTÁ NA RUA).

DONA ESTELA- Mais que gritaria foi essa? (ENTRA COM OS CARTAZES DA CAMPANHA).

ZECA- (AJUDANDO MIGUEL A SE LEVANTAR) Mi-Miguel!

REBECA- O que aconteceu aqui?

ANINHA- Aconteceu que meu príncipe virou sapo.

CARLINHOS- O canalha do Miguel estava querendo forçar a barra com a Aninha.

LUCAS- Forçar a barra como? (MANU ENTRA, VINDO DA RUA).

ANINHA- Queria tirar os cabimento, fazer os enxirimento. Mai eu sou moça de famia.

MANU- Prima! (ABRAÇA-A) Ai eu tô roxa, roxa.

BIA- E eu que pensei que você já estava prontinha.

KELLY- É minha filha, hoje em dia homem só pensa em sacanagem.

DONA ESTELA- Ô Aninha desculpa, eu devia ter prestado mais atenção em você. E você em seu Miguel, que vergonha até carta escreveu pra enganar a pobrezinha.

ZECA- Mãe foi eu que es-es-es-crevi a car-car-carta.

ANINHA- Ocê?

ZECA- Ma-ma-mais foi pa-para ou-outra pessoa.

DONA ESTELA- Pra quem foi então?

MIGUEL- Foi pra Bia.

BIA- Pra mim? Aí que legal, eu já tô prontinha.

MIGUEL- E você dona Estela, antes de me julgar deveria prestar mais atenção nos seus filhos.

DONA ESTELA- Mais o que é que tem meus anjinhos.

MIGUEL- (IRÔNICO) Só pra começar, o meu amiguinho Zeca está com aids.

TODOS- O quê?

ZECA- Mãe eu po-pos-so ex-ex-plicar, eu es-es-tava doi-doi-dão não deu pra...

DONA ESTELA- (CORTANDO) Pare por favor, me poupe dos seus detalhes sórdidos. Eu sei muito bem como se pega aids, só pode ser coisa do demônio. Ai, ai, eu vou morrer!

LUCAS- Que vergonha Zeca! Mais pior mesmo, é a Manu, que saiu com a rua inteira, Manu vuco, vuco. E ainda estão dizendo que ela está grávida.

DONA ESTELA- (CAINDO NOVAMENTE) Ai, eu não agüento, eu não agüento. Eu vou morrer, eu vou morrer.

MANU- (NERVOSA) Ai eu tô roxa, roxa. Mãezinha, não é bem assim, eu não saí com todos... o Júnior por exemplo ele tinha mau-hálito.

DONA ESTELA- Filha, você não está grávida está?

MANU- Estou. Quer dizer, estava... eu abortei.

TODOS- O QUÊ?

MANU- Eu não sabia o que fazer, eu estava com medo, eu não queria estragar minha vida.

DONA ESTELA- Estragada já está não é minha filha? E o pai já sabe da besteira que você fez?

MANU- (CONFUSA) O pai... bem, o pai... o pai... eu, eu não sei quem é o pai.

TODOS- O quê?

DONA ESTELA- Ai meu pai! (CAINDO) Dessa eu não escapo, eu vou morrer. Rebeca minha filha querida...

MANU- (CORTANDO-A) Querida? A Rebeca também não é flor que se cheire. Ela fez tudo pra levar o namoradinho, que queria casar virgem, pra cama, e ainda traia o coitado com o Miguel.

CARLINHOS- (SURPRESO) Rebeca isso é verdade?

ANINHA- Miguel, ocê e a prima?

MIGUEL- Caiu na rede é peixe!

DONA ESTELA- Filha, você traia o Carlinhos?

REBECA- Traia sim, e com muito gosto. Porque eu gosto é de homem de verdade.

CARLINHOS- Você disse que me amava.

REBECA- Amor, que coisa mais brega!

CARLINHOS- Desculpe, mas se você acha que amar alguém, faze-la feliz, respeita-la é ser brega, brega está sendo você, o amor nunca saiu e nem nunca saíra de moda. Só com o amor poderemos ser felizes.

REBECA- Mulher melhore, você quer que eu seja franca? Assume nega, assume linda!

ANINHA- Tadinho.

CARLINHOS- Mulher gosta de homem cachorro mesmo não é? Basta você respeita-la um pouquinho que já é gay. Eu sou homem e não preciso provar pra ninguém. Eu sei o que eu sou e isso basta! (SAI).

ZECA- Lu-lu-Lucas a-a-apro-pro-veita e con-con-ta pra mãe que vo-você anda traindo a Ke-kelly.

DONA ESTELA- O quê? Meu filho, você está de casamento marcado!

KELLY- Sogrinha essa afirmação é fato. Já pensei até em me matar ou virar bandida, meu filho quase que pegou depressão.

MANU- Ai eu fiquei roxa, roxa. Eu sempre achei vocês tão felizes.

LUCAS- Não é pra menos Kelly, você procura briga por qualquer coisa.

KELLY- Você acha qualquer coisa Pedro Lucas Jorge Afonso e Silva, eu ser corna? Eu não nasci pra ser chifrada meu bem. Mas se eu pego essa safada, desgraçada, sem futuro, moleca...

BIA- (CORTANDO) Êpa, moleca é o escambau!

REBECA- O que você tem a ver com isso Bia?

BIA- Eu?... Ai não tem jeito, eu vou falar a verdade. Eu sou, a... a... a...

KELLY- A moleca que está saindo com o Lucas.

BIA- Moleca não!

DONA ESTELA- Bia você? (SURPRESA)

BIA- Aí eu tinha medo de morrer sem beijar na boca, Se eu soubesse que o Zeca gostava de mim, eu já estava prontinha... mas aí o Lucas apareceu...
KELLY- Eu mato essa sem vergonha! (ELA BATE EM BIA).

BIA- Socorro! (REBECA E MANU TENTAM SEPARA-LAS).

DONA ESTELA- Aí eu vou morrer! (VAI CAIR MAIS LUCAS AMPARA) Minha hora chegou!

KELLY- Você não tem vergonha na cara? Você tem apenas quatorze anos, sua moleca.

BIA Me solta Rebeca, me solta que eu vou calar essa... MALUCA!

KELLY- (PARA BARRIGA) Calma filhinho, nós vamos lavar nossa honra. Eu vou dar uma lição nessa moleca. (PARTE PARA BIA, TODOS TENTAM APARTAR, PORÉM SÓ PIORAM A SITUAÇÃO).

DONA ESTELA- (GRITA) Chega! (TODOS PARAM) A que ponto vocês chegaram. Só pode ser coisa do demônio!
Homem como o Carlinhos está em extinção, um homem que sabe respeitar e valorizar uma mulher! Como o Miguel e o Lucas tem por toda parte, só querem aventuras, só querem usar meninas como a Bia, a Rebeca e a Manu, meninas que não sabem se dar o próprio valor. E não valorizam nem mesmo a própria honra. E também como a Kelly, que acha que ter um filho é como brincar de boneca. E também muitas como a Aninha que são iludidas por qualquer cantada barata... eu já estou cheia de tanta sacanagem... (SAI PARA OS QUARTOS).

ZECA- Es-es-pera mãe! (SAI COM DONA ESTELA).

MIGUEL- Espera Lucas, com quem você vai ficar afinal?

LUCAS- Com nenhuma das duas, esse negócio de compromisso, de ser pai não é pra mim. Fui! (SAI PARA A RUA).

KELLY- Lucas e o casamento? Eu não estou acreditando, eu vou ser mãe solteira, é isso? (PAUSA) Está vendo filho seu pai nos abandonou. Que vida triste vamos ter. Bem, eu já fui humilhada o suficiente. Eu vou arrumar minhas coisas. Eu não fico mais um minuto nessa casa (SAI PARA OS QUARTOS).

MANU- Coitada! Ai, eu fico roxa, roxa! (SAI COM KELLY).

REBECA- Chega de baixo astral, vamos dá uma volta Miguel!

MIGUEL- Demorou. Caiu na rede é peixe. (SAEM).

BIA- Eu também, já tô prontinha, não tenho mais nada o que fazer aqui. (RETIRA O AVENTAL E SAI).

ANINHA- Aí Jesus! Que pena, os casamento já era amanhã. E os bolo? Vai extruir tudo. Até pecado. Será que o amor num existe, será que o amor acabou? Será que só existe nas histórinha. (VÊ O LIVRO DE CARLINHOS) Mai um livro?

CARLINHOS- (ENTRA VINDO DA RUA) Oi, eu vim pegar meu livro, (RECEBE O LIVRO DE ANINHA).

ANINHA- Brigada Carlinhos, mais uma vez, ocê salvou minha vida, e minha honra também. Deus me livre! Eu ei de casar virgem.

CARLINHOS- Você também quer casar virgem?

ANINHA- Claro. Eu sou moça de famia!

CARLINHOS- Você conhece as regrinhas do amor?

ANINHA- Mai como num adevia de conhecer. Nos dois primeiro mês celinho...

CARLINHOS- No terceiro, beijo de língua...

ANINHA- No quarto abraço apertado...

CARLINHOS- No quinto, uns amasso...

ANINHA- No sexto noivado...

AMBOS- No oitavo casamento (RIEM).

CARLINHOS- Você, você, você... é minha alma gêmea.

ANINHA- Ocê, ocê, ocê... é meu príncipe.

CARLINHOS- Então o amor existe! (DÃO-SE AS MÃOS) Se todos acreditassem mais no amor, o mundo seria outro.

ANINHA- Carlinhos!

CARLINHOS- Aninha!

ANINHA- Carlinhos!

CARLINHOS- Aninha! (SE BEIJAM DELICADAMENTE).

NARRADOR- Quantos jovens como os que vocês acabaram de conhecer, não existem a nossa volta? Muitos sem rumo, sem direção, muitos pressionados a ter uma ativa vida sexual. Contudo, não se apaga o fogo jogando gasolina, por isso não basta simplesmente distribuir camisinhas, é necessário educar para o amor, para o respeito, para a formação de uma família. Só assim resgataremos valores que ficaram no passado, mas tão necessário no nosso presente, pois a vida é um jogo onde ganhamos e perdemos porém, é preciso saber viver!

(DURANTE A NARRAÇÃO APARECE APENAS A VOZ DO NARRADOR. NO MOMENTO EM QUE ELE FALA OS ATORES ENTRAM UM A UM).


E A VIDA CONTINUA...

NOVA ESPERANÇA

PEÇA - NOVA ESPERANÇA!
livremente inspirado na obra´´a maisa agora é nossa`` de crispiniano neto.

(O PRIMEIRO MOMENTO DO ESPETÁCULO SE PASSA EM FORMA DE TEATRO INVISÍVEL. EM MEIO APLATÉIA SE ENCONTRA TRÊS ATORES, DEVIDAMENTE POSICIONADOS A PONTO DE SE MISTURAR COM OS DEMAIS E QUE PASSEM DESPERCEBIDOS. UM ATOR QUE DEVE ESTAR JÁ DESDE O INÍCIO DA CERIMONIA COMPONDO A MESA É CONVIDADO PELO RELATOR A TOMAR A PALAVRA, DANDO ASSIM INICIO AO ESPÉTACULO.).

ATOR1-boa noite! É com muito orgulho, que estou aqui hoje para falar um pouco sobre o que ainda significa a maisa pra mim. como também vim expor minha opinião e dizer o quanto eu acredito que a nossa comunidade possa virar cidade.
(OS ATORES DA PLATÉIA LEVANTAM-SE TODOS Há SEU TEMPO E SE OPÕE A QUEM ESTA Á FRENRE).

ATOR 2 - A maisa vai virar cidade?Mais que palhaçada é essa?

ATOR 3 - Vocês ficaram malucos? Isso é um absurdo!Eu sei que sonhar é bom, mais isso aí já está passando dos limites!

ATOR 4 - A maisa vai virar cidade, essa é boa! Vocês queiram me desculpar, mais eu tenho mais o que fazer do que ficar dando atenção a essas baboseiras.

ATOR 1 - Mais pessoal vamos ouvir as propostas, vamos entender o projeto, para depois tiramos nossas conclusões.

ATOR 2 - Mais isso não tem cabimento, primeiro pelo número de habitantes que é insuficiente, segundo a região é muito pequena. E além do que, ninguém sabe nem ao menos a quem pertence às casas da vila.

ATOR 3 - isso é invenção de gente desocupadas que não tem o que fazer.

ATOR 1 - Mais o que é isso? Como vocês podem ser tão pessimistas? A maisa é fruto de um sonho que ainda não morreu. A empresa em si, pode até ter falido, mais o sonho continua vivo dentro de cada um de nós. Afinal quem de vocês aqui presente não já se pegou relembrando o tempo passado em que a maisa prosperava e tudo ia bem. Tempo em que tinha emprego para todos. Ninguém pode negar que a maisa é um pedaço da nossa história que não pode ser apagado. Nem esquecido.

(OS ATORES DA PLATÉIA VÃO Á FRENTE E INICIAM UMA SÉRIA DISCUÇÃO, PODENDO).
ATÉ SER APARTADA POR ALGUÉM DA COMISSÃO ORGANIZADORA. EM SEGUIDA, TODOS NUM SÓ TEMPO, DÃO UM FORTE GRITO. A COMISSÃO AFASTA-SE, DANDO ESPAÇO AO ESPETÁCULO. OS ATORES QUE JÁ ESTÃO EM CENA ,PASSAM A ENCARAR A PLATÉIA COM UM OLHAR PERDIDO. DO FUNDO DO PALCO SURGE UMA PEQUENA PROCISSÃO COM GENTE QUE REPRESENTE´O POVÃO, AO SOM DA MUSÍCA ´´VIDA DE GADO- ZÉ RAMALHO``.)
TODOS - a semente ficou que ela germine para concretizar aquele sonho pelo qual tanto sonhamos.

ATOR 5 - A Maisa, vocês sabem,
Já foi símbolo do sucesso,
Âncora em tecnologia,
Moderna e mercadologia,
Cartão postal do progresso!

TODOS - Do sonho á realidade, maisa cidade!

ATOR 6 - Foi quem trouxe a Mossoró
A moderna irrigação,
Com as técnicas de Israel,
Com a ciência do Japão.
Foi nosso Éden exemplar,
Califórnia Potiguar,
Canaã do meu sertão!

TODOS - O povo todo em união pede a emancipação.

ATOR 7 - Melão, manga e acerola,
Sapota e nectarina
Caju precoce e papaya,
Atémoia e tangerina,
Indústria, gado e abelha...
A Maisa era a centelha
Da nova luz nordestina!

TODOS - Vamos dar-nos as mãos, e lutar pela emancipação!

ATOR 8 - Mas apesar da Maisa
Ser um negócio rentável
De gerar empregos em
Volume considerável
Quebrou, faliu sem apelo.
Por adotar um modelo
Que não era sustentável!

TODOS - Eu luto com orgulho: Para maisa ser cidade no futuro!

ATOR 1 - A má administração
E excesso de ambição
Foram os males da empresa
Dependência de mercado
Crédito sem necessidade
A Maisa já se via
Que ia quebrar um dia

TODOS - O sonho não pode para! A maisa cidade será!

ATOR 2 - Quando se acabou o glamour,
Holofotes se apagaram,
Ressecam os canduítes,
As porteiras se fecharam
Empregados despediram os
Chefes logo sumiram
E os sem terra ocuparam.

TODOS - A maisa ressurgirá, uma grande cidade será.

ATOR 3 - Como Ocorre em toda luta
Dos sem terra do país
Teve polícia e jagunço
Teve ordem de juiz
Tirando enxadas, mobílias,
Expulsando mil famílias
Do sonho de ser feliz!

TODOS - Queremos mudança, maisa cidade uma nova esperança.

ATOR 5 - Mas as famílias ficaram
Além da cerca, na estrada,
Sob os barracos de plástico,
Tomando água pesada.
Esperando, todas mil.
Um cantinho de Brasil
Pra ter trabalho e morada.

TODOS - A voz do povo é a voz da razão: a maisa pede a emancipação.

ATOR 6 - Foi aí que veio Lula,
Novo chefe da nação
E deu logo ordem pra o incra
Estudar bem o lugar,
Desapropriar a terra
E as famílias assentar.

TODOS - Do sonho á realidade, maisa cidade!

ATOR 7 - São vinte mil hectares
Com mil peões assentados
A maisa agora é nossa
É aquele Brasil decente
Que foi o sonho da gente
Dando fruto em nossa roça.

TODOS - O sonho não pode para! A maisa cidade será!

ATOR 8 - O sonho continua embora enfraquecido. A maisa cresce a cada dia e hoje está de braços dados e mãos unidas. Viemos propor o inicio de uma nova fase, uma nova maisa, um novo sonho, uma nova esperança.

(AO SOM DA MÚSICA ESPERANÇA DE DANIEL)
ATOR 1 - Quem somos? Ora, somos maisenses. Nós fazemos parte de uma gente que acreditou numa idéia, uma gente que presenciou a alegria de milagre do sonho que virou realidade.

ATOR 2 - Gente que deu seu sangue pra uma empresa crescer. E gente que também teve a triste oportunidade de presenciar tudo desmoronar e aquele lindo sonho se tornar um triste e sombrio pesadelo.

ATOR 3 - Somos pessoas que tem a lembrança de uma infância feliz, de uma juventude viva, lugar chamado maisa.

ATOR 4 - Somos pessoas do interior, que nos orgulhamos por fazer parte de uma estória, cheia de lutas e vitórias, derrotas e conquistas.

ATOR 5 - Somos pessoas que não tememos a luta.

ATOR 6 - Que acreditamos na força de um objetivo

ATOR 7 - Confesso porém que essa gente guerreira não é Perfeita que temos lá nossos defeitos.

ATOR 8 - E temos muito ainda que mudar.

ATOR 1 - Uma gente que hoje abraça a idéia de que a maisa será uma cidade e que não vamos sossegar enquanto nosso intento não se concretizar.

TODOS - O povo todo em união pede a emancipação.
TODOS - O sonho não pode para! A maisa cidade será!
TODOS - Do sonho á realidade, maisa cidade!


A VIDA CONTINUA...

Furdunço no Sertão

Peça – Furdunço no Sertão

Texto e Direção
Denílson David

PERSONAGENS
GENOVEVA - A NOIVA
CHIQUIM - O NOIVO
ESPERTUNIA - MÂE DA NOIVA
ZÉ-IRMÂO DA NOIVA
RAIMUNDONA - A GRÁVIDA

ATO ÚNICO

ABREM – SE AS CORTINAS

GENOVEVA – (ENTRA COM UMA VASSOURA NA MÃO) Ô minha nossa senhora das muié limpa e cheirosa, que caisa mais suija! (VARRENDO)Eu, levo o tempo cuidando na arrumação dessa casa. Ô vida ,ô vida...já, já mainha chega e se ela pega essa bagunça ela mete o cacete. (VARRE E ARRUMA TUDO APRESSADAMENTE).

ESPERTUNIA – (DE DENTRO) Ô Genoveva! Genoveva! Cadê tu peste? Aparece traste!(ENTRA CORRENDO).

GENOVEVA – Ôche mainha que agonia é essa? Num grita que eu fico toda tremendo!

ESPERTUNIA – Deixa de frescura sua maldita! Sabe o que eu fiquei sabendo agorinha na rua, sabe?

GENOVEVA – Sei mainha, sei!

ESPERTUNIA – Como tu sabe, se eu ainda não contei peste?

GENOVEVA – A mainha se eu dizesse que num sabia a senhora ia brigar.

ESPERTUNIA – Ai cristo, isso não é uma filha, isso é um castigo. Mai coma eu ia dizendo, o seu tio, e a sua tia, bateram as botas.

GENOVEVA – O quê? Não, não, não! Ai meu Deus! (CHORA DESESPERADA)
ESPERTUNIA – Ô Genoveva, num precisa disso mia fia! Tu deixa de besteira, se não eu te parto a cara!

GENOVEVA – (CONTENDO O CHORO) E morreu de que mainha?

ESPERTUNIA – De um acidente de carroça.

GENOVEVA – Carroça?

ESPERTUNIA – Eles tava nas pistas de carroça, ai na hora que iam atravessar vei uma moto, passou por cima do jumento, matou o jumento.

GENOVEVA – Ôche, passou por cima do jumento e quem morreu foi o tio e a tia?

ESPERTUNIA – Morreram de pena do jumento, coisa de gente besta mesmo, viu!

GENOVEVA – Num fala assim mainha! Mai e o meu primo Chiquim, como é que tá?

ESPERTUNIA – O traste mandou dizer por seu neném do mercado que tá vindo passar uns dias aqui.

GENOVEVA – Num diga mainha.

ESPERTUNIA – Baixe o fogo sua assanhada.

GENOVEVA – Ôche mainha, pintiei o cabelo onti.

ESPERTUNIA – Olhe aqui Genoveva, tu num se faça de engraçada, tu sabe do que eu tô falando, por isso eu não quero que você fique com gracinha pro lado do peste do Chiquim, tu tá me ouvindo?

GENOVEVA – Tô sim, mainha. Tô sim.

ESPERTUNIA – Agora vai já pra dentro cuidar do almoço. (EMPURRA-A) Cumigo é assim escreveu num leu o pau comeu. Minha fia Genoveva tem 25 cinco anos e ate hoje nunca nem beijou nas bocas, isso só depois de casada eu sei como anda as coisas se essa peste fosse solta já tinha uns quinze fi. Essa bicha não presta.
ZÉ – (ENTRA EMBREAGADO) Eu vou beber pra esquecer dos meu probrema.

ESPERTUNIA – Mais tu já bebeu de novo, peste?

ZÉ – Só um poquim, mainha sabia que ôce é mia mãe prifirida?

ESPERTUNIA – Eu já disse que num queria ver você bebendo, e que num vou sustentar fi vagabundo não tá me entendo?

ZÉ – Mainha eu só bibi um golim.

ESPERTUNIA – Que golim o que, o bafo tá aqui.

ZÉ – O bafo que tá aí é o seu, num é o meu não.

ESPERTUNIA – Olhe aqui, tu num faça piadinha com minha cara não, (PUXANDO PELA ORELHA) tá me ouvindo?

ZÉ – Tô mainha, tô!

ESPERTUNIA – (VAI SAINDO)

ZÉ – Mainha é toda das valentona assim, mai de verdade ela num mata nem uma vaca.

ESPERTUNIA – (VOLTANDO) E tem mais, pela última vez eu vou avisar: ou tu cria vergonha e pára de vagabundagem ou eu ôcê no olho das rua. (SAI).

ZÉ – Mainha é uma gracinha (RIR, OUVI-SE PALMAS) Ôche essas palmas só pode ser cobrança de mainha. Já vai, (CAI) Eu ia caindo, (LEVANTA-SE E ABRE A PORTA) Primo Chiquim com vai ôce?!

CHIQUIM – Diga Zé tudo bom, só?

ZÉ – Mai entra Chiquim que a casa é toda sua

CHIQUIM – Ôce tá bebo Zé?

ZÉ – Eu num tô bebo não! Fica aí, que eu vou chamar a mãe ,pra mode ela vê ôce.

GENOVEVA – (ENTRANDO) Mainha... (VER CHIQUIM) Chiquim!

CHIQUIM – Genovevinha! Ixe Maria, e tu vai ficar aí parada, doida? Num vai dar nenhum abraço no seu primo quirido?

GENOVEVA – (CORRE PARA ABRAÇA-LO) Chiquim é tu memo?

CHIQUIM – Sou eu sim Genoveva, mai tu tá cada vez mai linda.

GENOVEVA – Num fala essas coisas que eu fico com vergonha! Sinto muito pelo que aconteceu.

CHIQUIM – Nem me fala nisso, que chega eu fico triste. Mai cadê a tia Espertunia? Cadê a veia?

GENOVEVA – Tu num fala assim de mainha, porque se ela esculta... Ôce sabe que ela é dessas que mata a cobra e mostra o pau.

ESPERTUNIA – (DE DENTRO) Genoveva, Genoveva, quem é que tá ai?

GENOVEVA – Num é ninguém não! É o Chiquim!

ESPERTUNIA – (ENTRANDO) Mai o peste já chegou?

CHIQUIM – Cheguei sim!

ESPERTUNIA – Como é que tu tá desgraça?

CHIQUIM – Tô em pé!

ESPERTUNIA – Tu num brinca comigo traste! (BATE NELE)

CHIQUIM – Arre, desculpa eu tia.

ESPERTUNIA – Senta aí!

CHIQUIM – Num quero não!

ESPERTUNIA – Senta aí, ou tu senta ou eu te parto a cara!

CHIQUIM – Eta que brincadeira besta, (PAUSA) Eu queria era brincar! Vamo brincar genovevinha?

GENOVEVA – Vamo sim, posso mainha?

ESPERTUNIA – (PARA CHIQUIM) Ôce chamou mia fia de quê, desgraça?

CHIQUIM – (AMEDRONTADO) Genovevinha...

ESPERTUNIA – Que essa seja a última vez, nada de intimidade com mia fia, vice?

CHIQUIM – Tô vissando, tô vissando!
ESPERTUNIA – Agora podem ir, mai eu tô de oi!

GENOVEVA – Ôce nem me pega, (SAEM CORRENDO).

ESPERTUNIA – Dois cavalão desse brincando, tem ate o que ver!

GENOVEVA – (VOLTA CORRENDO) Nem me pega!

CHIQUIM – Ah! Mai tu vai ver como eu pego. (CORREM EM VOLTA DE ESPERTUNIA, BARROAM NELA E ELA DESMAIA).

CHIQUIM – Genoveva! Danou-se tudo, venha aqui rápido!

GENOVEVA – (VÊ SUA MÃE CAÍDA) Mia nossa senhora dos miserável, ôce ficou doido Chiquim?

CHIQUIM – Virge santíssima, ela morreu bateu as bota?

GENOVEVA – Morreu não Chiquim, morreu não mai quando ela acordar quem vai morrer é ôce.

CHIQUIM – E agora o que agente faz?

GENOVEVA – Nós primeiro tem que acordar ela, adespois nós acalma a fera.

CHIQUIM – Mai como, Genoveva?

GENOVEVA – Tô pensando.
CHIQUIM – Já sei, aqui tem veneno de rato.

GENOVEVA – Acho que tem por quê?

CHIQUIM – É só ela dá uma cherada. Ou ela acorda doidona ou morre de vez!

GENOVEVA – Será?

CHIQUIM – Ou vai ou racha!

GENOVEVA – Então eu vou pegar. (VAI SAINDO, PÁRA AFLITA DE PERNAS ABERTAS)

GENOVEVA – Ai, ai, Chiquim, Chiquim me ajuda. (PARALISADA).

CHIQUIM – O que foi Genovevinha o que está acontecendo?

GENOVEVA – Uma, uma, uma barata tá subindo no meu pé, socorro!

CHIQUIM – Calma Genoveva, eu vou te ajudar, (ENTRANDO DEBAIXO DE SUA SAIA).

GENOVEVA – Mata a barata Chiquim, mata!

CHIQUIM – Espera Genoveva eu tô procurando.

GENOVEVA – Tá subindo, socorro Chiquim!

CHIQUIM – Calma Genoveva, eu já vou pegar a barata, não se mexe!

GENOVEVA – Vai logo Chiquim, ai tá subindo! (ESPERTUNIA ESTÁ ACORDANDO).

GENOVEVA – (VÊ ESPERTUNIA SE APROXIMANDO FURIOSA) chiquim tá bom, a barata já foi, chega, chega, chega!

CHIQUIM – Genovevinha ôce...

ESPERTUNIA – (LEVANTA CHIQUIM PELA CAMISA) Tá fazendo o quê com mia fia? E que nigocio é esse de barata?

CHIQUIM – (AMEDRONTADO) Foi a Genoveva quem mandou eu pegar na barata dela!

GENOVEVA – Oxênte Chiquim!

ESPERTUNIA – É o quê? Sua enxerida, tu anda mandando os outros pegar nas tuas coisas! (BATE NELA)

GENOVEVA – Mainha, ele mandou eu pegar o veneno... Ai a barata....

ESPERTUNIA – Veneno...? e pra que esse veneno?

GENOVEVA – Ôche, era pra senhora cheirar.

ESPERTUNIA – (PARA CHIQUIM) Tu queria me matar, desgraça? Tu num tem medo de morrer não?

CHIQUIM – Ô tia, num mata eu não! Num suja tuas mão com eu não. Se tu matar eu... eu...

ESPERTURNIA – Tu o quê? Fala peste!

CHIQUIM – Se tu matar eu...eu.. morro.

ESPERTUNIA – Tu num ia dizer isso não infeliz, tu ia dizer que se eu matasse tu, Genoveva ia ter um fi sem pai, num era?

CHIQUIM – De onde? Mai minha nossa, tu endoidou de vez tá caducando é?

GENOVEVA – Mainha num assucedou nada eu juro!

ESPERTUNIA – Cala boca, rolinha doida! E tu Chiquim de uma mulesta, buliu com mia fia vai ter que casar.

CHIQUIM/ GENOVEVA – O quê?

CHIQUIM – Mai tia e a Raimundona?

ESPERTUNIA – Que Raimundona? Eu é que num vou esperar nove mês, pra mode saber o resultado. Casa sim e adespois de amanhã.

CHIQUIM/ GENOVEVA – O quê?
GENOVEVA – Mai já mainha?!

CHIQUIM – Oxênte pra quê tanta pressa?

ESPERTUNIA – Pra tu num ter tempo de fugir desgraça. (SAI)

GENOVEVA – (RIR) É... Mai eu bem que vou gustar de casar com você, vice!

CHIQUIM – Eu também ate que ia, se num fosse...

ESPERTUNIA – (ENTRANDO) Genoveva Peste.

ZÉ – (ENTRANDO) E aí Chiquim tá gostando primo?

CHIQUIM – Tô nada Zé, a tia quer que eu casa com a Genoveva sem ter feito nada com ela.

ZÉ – Mai casa primo, adepois ôce faz. mia irmã é feinha mai da pra quebar o gai.

CHIQUIM – Mai de querer eu atè que queria, mai é que mode eu num posso.

ZÉ – Mai o jeito é se conformar, pó mode que despois que mainha põem uma coisa na cabeça da sangue na canela e a nega num desiste. (SAI)

CHIQUIM – Mai eu tenho que fazer alguma coisa, mai o quê? E agora? Se correr o bicho pega se correr o bicho come! (SAI)

UM DIA DEPOIS

ESPERTUNIA – (ENTRANDO) Mai é hoje, é hoje que o tampo desencalhar. Mai eu bem que sabia que era só da espaço que a bicha ia dar... dar pa ruim.

ZÉ – (ENTRA BEBENDO) Óia, mai onde tá mia mãe prifirida!

ESPERTUNIA – Mai tu, já tá bebendo de novo fi do cão?

ZÉ – Quem tá bebendo aqui, mãe? Eu? Quem disse essa mintira.

ESPERTUNIA – Ninguém disse nada, eu tô vendo troço.

ZÉ – Vendo o quê?
ESPERTUNIA – Essa garrafa ai atraz. Vem cá. (PEGANDO-O PELA ORELHA). Oia aqui seu bicho imundo, hoje tua irmã vai casar, agora vai botar uma roupa de sair e volta já pra cerimônia. (JOGA ELE PRA DENTRO).

CHIQUIM – Já tô indo, calma, calma.

ESPERTUNIA – Ai agora é só esperar.

CHIQUIM – Deus que a me perdoe, vice, mai eu me livro desse casório se o tampo dessa veia morrer. (PEGA UM PAU). Oi titia!

ESPERTUNIA – O que é que tu quer? (DURANTE A CENA ELE TENTA A TODO CUSTO METER O PAU NA CABEÇA DE ESPERTUNIA, QUE SEMPRE ACABA ESCAPANDO).

CHIQUIM – Quero conversar um cadim com ôce.

ESPERTUNIA – Desembucha, (ENQUANTO ISSO ELA ARRUMA A MESA DO ALTAR)

CHIQUIM – Mai né mior, nós deixar esse casório pra outro dia? Ou já se viu casar sem bolo, bebida e doce.

ESPERTUNIA – Preocupe não, eu fiz tudo cumprei as cachaça, uma buchada das boa...

CHIQUIM – Mai e os convidado?

ESPERTUNIA – Mai tu tá cego? Num tá vendo esse tantão de gente, não? (APONTANDO PARA O PÚBLICO)

CHIQUIM – E as noiva, aposto que ela num tem nem vestido.

ESPERTUNIA – E num tem mermo.

CHIQUIM – Pois então.

ESPERTUNIA – Mai eu dei uns ponto no vestido que eu casei com o finado Geremias e ficou uma beleza pra ela.

CHIQUIM – Mai ai que veia nojenta. (ÚLTIMA INVESTIDA COM O PAU).
ESPERTUNIA – (VIRA-SE A TEMPO, PEGANDO-O EM FLAGRANTE). Mai tu queria me matar peste?

CHIQUIM – Da onde tia! Queria nada! Tava só de brincadeira.

ESPERTUNIA – Tu sabe muito bem que eu tenho nojo de brincadeira, eu já disse que o casamento vai ser hoje e num tem cristão desse mundão de meu Deus que me impida. (GENOVEVA VESTIDA DE NOIVA ENTRA CORRENDO).

GENOVEVA – Chegui, tô bunita Chiquim?

CHIQUIM – Nunca vi um bicho tão bunito! Em toda mia vida.

ESPERTUNIA – Bora começar o casório?

GENOVEVA – Oxênte mainha, mai cadê o padre?

ESPERTUNIA – Cruz credo, eu esqueci do padre!

CHIQUIM – Só pode ser milagre, vamo deixar pra outro dia, pra outro mês, pra outro ano, pra outra vida!

ESPERTUNIA – Mai nem que a vaca tuça.

GENOVEVA – Mai como é que nois vamo casar?

ESPERTUNIA – Vou chamar o peste do seu irmão! (SAI)

GENOVEVA – Ai, mai eu tô feliz demais da conta! E ôce Chiquim o que tá sentido?

CHIQUIM – Eu tô é com medo Genovevinha.

ESPERTUNIA – (ENTRANDO TRAZENDO O ZÉ) Pronto! Tá qui o Zé ele vai fazer o casamento.

GENOVEVA/ CHIQUIM – O quê?

GENOVEVA – Mai mainha o Zé num sabe nem quem é Deus, quanto mais casar os fio de Deus.

ZÉ – Mai ora se num sei Deus é o pai de todo mundo.

ESPERTUNIA – Zé é só dizer tudo que eu mandei. Agora vai!

ZÉ – Em nome do pai, do fi, do ti, da mãe, da vó e do vô.
RAIMUNDONA – (VINDO DO PÚBLICO)Mai que putaria é essa? Seu cabra safado! Fi da mãe filhote de cruz credo o que é que tu tá fazendo? (PARA CHIQUIM).

CHIQUIM – Ra- ra- Raimundona!

GENOVEVA – Mai quem é ela?

RAIMUNDONA – Eu é que pergunto quem é essa pistoleira, macacada de branco?

ESPERTUNIA – Quem é esse diabo? Tu conhece Chiquim?

CHIQUIM – Conheço sim! Ela é Raimundona, por causa dela que eu num queria casar com a Genoveva.

ESPERTUNIA – Aí queria fugir e deixar mia fia barriguda num era?

RAIMUNDONA – Come é que é? Tu vai casar com essa bicha imunda?

GENOVEVA – Vai sim! (AGARRA CHIQUIM). E eu num sou bicho, sua barriguda e tu nem foi convidada, e tá pra nascer quem tome Chiquim de eu.

RAIMUNDONA – Tu vai casar e deixar este peste nascer sem pai?

ESPERTUNIA – Fia vai ali no banheiro, senta na privada faz coco, da descarga e pronto! Tá livre.

RAIMUNDONA – Tu tá pensando que isso aqui é merda é fia? Mais né não, é fi desse homem, (PARA CHIQUIM) desse cachorro da mulesta, desse sem vergonha!

ZÉ – Vai ter casório ou num vai?

ESPERTUNIA – Tu fica calado, e tu (RAIMUNDONA) Vai embora enquanto é tempo.

CHIQUIM – Raimundona vai embora, num cumprica as coisa se tu ficar aqui, essa doida mata eu e tu e adespois bebe o sangue.

RAIMUNDONA – Eu vou, mai tu vem com eu. (PUXA ELE POR UM BRAÇO).

GENOVEVA – (PUXA PELO OUTRO) Ah, mai num vai mermo!

RAIMUNDONA – Ah, mai vai sim!

GENOVEVA – Ah mai num vai não.

ESPERTUNIA – Chega! Eu num quero furdunço no meu sertão. Eu já sei o que fazer, a peste da Genoveva casa com a peste do Chiquim e esse bucho fofo casa com o cachaceiro do Zé.

CHIQUIM – Mai que furdunço é esse, e meu fi?

ZÉ – Ôce dá de comer a ele.

ESPERTUNIA – Tu vai ver o menino todo santo dia, mai vai ter que casar com a peste da mia fia.

RAIMUNDONA – Se meu fi vai ter um pai eu ate que aceito.

CHIQUIM - Ah, genoveva agora podemos casar assucegado!!!

ESPERTUNIA - Ah, chiquim até parece sonho!

ESPERTUNIA – E quem vai fazer o casório agora É eu... Em nome do pai... Vocês vão se casar, mas se brigar, se trair, se tiver safadeza, cachorrada eu passo a foice, entenderam? (FAZEM SINAL QUE SIM).Raimundona Camburão do Bucho Grande, aceita Zé Vagabundo como teu esposo? Pra cuidar do teu moleque e te dar vergonha?

RAIMUNDONA – É o jeito!

ESPERTUNIA – E tu imundo?

ZÉ – Aceito muito feliz!

ESPERTUNIA - Genoveva Pitomba Butique da Fonseca da Canela de Macaco, aceita Chiquim Francisco da Rocha da idade da Pedra Lascada com seu marido? Pra lidar de comer e lhe sustentar?

GENOVEVA – Aceito.

ESPERTUNIA – E tu peste?

CHIQUIM – Eu também aceito!

ESPERTUNIA – Agora chega de furdunço, pode pegar os trapos das noiva porque a festa vai começar! Pegue seu pá gente feia e comecem a dançar cão dos inferno.

E A VIDA CONTINUA...